Não, não é a economia, Mr. Carville!
É o social, estúpido!
Os pibinhos incomodam. É preciso ficar atento à inflação. Sim, o Bolsa Família vai bem, obrigado. Elogie-se, com restrições, o Brasil Carinhoso. A instalação da Comissão da Verdade foi importante.
Mas os sinais são claríssimos do afastamento do governo Dilma daquilo que historicamente marcou o PT: a conexão com os movimentos sociais.
A condução desastrosa da questão indígena, que resultou na morte de um ser humano terena. A Funai está em processo de ser descaracterizada. E cereja do bolo: devido à identificação de um falso índio, a PF irá promover uma devassa em RG de indígenas. Muito que bem, falsificação ideológica é crime e deve, sim, ser combatida. Mas, por que a PF, sob comando do Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, não fala em devassar títulos de propriedades se também temos sabidamente títulos falsos? E a devassa na PF para verificar se o tiro que matou Oziel Gabriel partiu de uma arma de um policial federal, cadê?
Agora, o mesmo Ministro da Justiça disse que os protestos de São Paulo e Rio de Janeiro contra o aumento das tarifas de transporte coletivo seriam analisadas pela PF. O que a PF tem a ver com caso? A própria nota do MJ reconhece que os casos de vandalismo são da alçada estadual. O Excelentíssimo Senhor Ministro Cardozo suspeita que o Movimento Passe Livre seja um grupo terrorista?
Eu sou crítico aos atos de vandalismo de destruição de propriedades públicas e privadas ocorridas durante os protestos. Afinal, o que o coitado do jornaleiro tem a ver com os aumentos das tarifas para ter sua banca destruída? Critico também a ação truculenta da polícia, sobretudo nos momentos em que parte para o ataque sem haver provocação prévia e quando atinge inocentes. Mas... o que a PF tem a ver com isso?
E o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, não apenas retirou de circulação campanha de proteção da saúde voltada às prostitutas após grita de setores conservadores religiosos, como demitiu Dirceu Greco, diretor do Departamento de DST, Aids e hepatites virais, responsável pela campanha.
Anteriormente, em 2011, também cedendo à pressão de conservadores religiosos, o MEC, então sob responsabilidade de Fernando Haddad, atual prefeito da capital paulista, cancelou a distribuição de kits de campanha contra a homofobia nas escolas.
O PT, como partido, deu uma bola fora total ao deixar a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal nas mãos de um conservador religioso.
E a presidenta Dilma Rousseff tem deixado isso rolar de boa. Para que elegemos um governo de esquerda, se suas ações são de um conservadorismo tacanho?
É bom que Rousseff retome o rumo rapidinho, deixando de ficar refém da agenda dos conservadores religiosos.
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quarta-feira, 12 de junho de 2013
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Sobrou pro índio... de novo
O jornalista Claudio Angelo, em seu blog Curupira, disse em outubro do ano passado: "Está em curso no Brasil um revival do sentimento mais primordial da nossa nacionalidade: o ódio ao índio."
Só não sei se é mesmo um revival, a impressão que tenho é de que nunca houve um esmorecimento.
O que, a mim, parece ser uma certa novidade é um *governo* declaradamente de matiz *esquerdista*, na prática, atuar contra os direitos dos índios.
Não apenas nos grandes projetos nacionais como as usinas de Belo Monte e outras que avançam sobre reservas indígenas. (Considero que são projetos importantes e defensáveis, no entanto, houve e há atropelo no processo de sua implantação.) Mas agora em processo de desocupação e reintegração de posse com ação da *Polícia Federal* resultou na morte de um índia terena - Osiel Gabriel. Os índios ocupam a fazenda Buriti, que ocupa área dentro da região de 17 mil hectares que, por levantamento da Funai de 2001, deveria fazer parte da reserva terena em Mato Grosso do Sul.
E, mais, *ministra* da Casa-Civil, a senhora Gleisi Hoffmann, discursa em sentido de enfraquecer o órgão da União responsável pela questão indígena, incluindo o *Ministério da Agricultura* noa demarcação de reservas. A Casa Civil é o braço direito da presidência e, com a presidenta calada, a inferência é que há, no mínimo, anuência tácita de Rousseff. O mesmo processo de enfraquecimento do Ibama na questão ambiental durante os governos Lula é enfrentado agora pela Funai. Sempre com o fortalecimento dos interesses ruralistas.
Não é que os ruralistas sejam inerentemente malvados. Representam interesses legítimos de produtores rurais (não de todo, principalmente da parcela dos *grandes* produtores - levando a reboque os médios e pequenos). Mas não é possível se atropelar interesses difusos e fundamentais como o meio ambiente e os direitos dos povos indígenas - de quem usurpamos as terras ao longo do processo formativo brasileiro e de quem continuamos a roubar as áreas de sustento e identidade cultural, mesmo as já demarcadas na década de 1990 - em nome de interesses econômicos (dos ruralistas) e políticos (do governo federal em contar com apoio dos ruralistas).
Se a morte de Gabriel foi mesmo provocada por tiro de um policial federal (uma nova autópsia foi pedida), o governo Rousseff terá ainda mais contas a prestar.
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