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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Carrefour também não sabe ler

A respeito da lei sobre sacolas plásticas em BH, enviei pelo formulário de contato no site do Carrefour a mensagem abaixo:
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De: Roberto Takata
Para: naoresponder@carrefour.com
Enviada em: 27/04/2011 15:47:53
Assunto: Responsabilidade Social

Nome: Roberto Takata
E-mail: rmtakata@xxx
Telefone: (xx) xxx
Estado: MG
Loja: B.H. Shopping

Mensagem:
Prezados Senhores,

Em respeito à lei municipal 9.529/2008 de Belo Horizonte, MG, as lojas da cidade estão oferecendo alternativas pagas de sacolas retornáveis ou descartáveis compostáveis.

Gostaria de saber por que motivo não é oferecida também a alternativa de sacos de papel, que eram, em passado recente, oferecidos gratuitamente pelos supermercados.

Agradeço desde já a atenção.

Cordialmente,

Roberto Takata
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Eles responderam:
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From: naoresponder@carrefour.com
Subject: Re: Responsabilidade Social
To: rmtakata@xxx
Date: Thu, 28 Apr 2011 19:39:07 -0300

Prezado Roberto,
Agradecemos o envio de sua mensagem ao Serviço AMIGO do Cliente Carrefour.
O Grupo Carrefour, vem trabalhando arduamente para oferecer aos nossos clientes preços competitivos, variedades de produtos com qualidade.
Lamentamos que ao visitar nossa loja, não tenha encontrado as sacolas reutilizaveis, informamos que sua manifestação será acatada como uma sugestão para melhoria de nossos serviços.
Nesse sentido, nos colocamos à disposição sempre que preciso.
Seu contato está registrado em nosso serviço sob o número: 2321291
Caso queira retornar, por favor, não responda ao remetente deste e-mail. Acesse o site: www.grupocarrefour.com.br, e na opção "Fale Conosco" selecione o ícone "Serviço AMIGO do Cliente", e clique em "Envie um E-mail".

Atenciosamente,
xxxx
Serviço AMIGO do Cliente
Carrefour Brasil

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domingo, 24 de abril de 2011

Do banimento das sacolas plásticas

Em BH já está em vigor o caráter obrigatório dos dispostos na lei 9.529/2008 que proíbe o uso de saco plástico de lixo e sacola plástica convencional em estabelecimentos privados e órgãos públicos do município. O artigo 4o estabelece as penalidades, inicialmente vetado pelo Prefeito Fernando Pimentel, mas depois promulgado pela Câmara: a lei não teria nenhum efeito prático se não houvesse penalidades.

A intenção é boa, embora ainda não tenhamos por claro se os benefícios socioambientais esperados decorrerão da lei.

Há um problema que vejo na redação da lei. Em sua redação atual, o artigo 1o determina:

"Art. 1º - O uso de saco plástico de lixo e de sacola plástica deverá ser substituído pelo uso de saco de lixo ecológico e de sacola ecológica, nos termos desta Lei."

Mas não há no dispositivo a definição do que sejam as sacolas ecológicas. Pela prática adotada pelos supermercados, estão a se oferecer - vender - sacolas de lona de algodão e sacolas de plástico compostável e reciclável. Tem alguns poréns: pelo menos um estudo indica que o impacto de sacolas de algodão têm um impacto maior do que sacolas plásticas. Como lembra, Claudia Chow, no Ecodesenvolvimento, há plásticos produzidos com matéria vegetal - bioplásticos - que não são recicláveis. E como aponta Thanuci Silva, no Rastros de Carbono, alguns plásticos ditos oxibiodegradáveis não são realmente degradados por micro-organismos: eles fragmentam-se e se acumulam como partículas menores (um estudo recente mostra isso*).

Porém, a minha questão é: por que não retornar ao uso de sacos de papel para compras?

As soluções atuais são cobradas: a sacola retornável de lona custa 15 reais ou mais (a durabilidade é de 2 a 3 anos), a de plástico compostável sai por 19 centavos ao consumidor. Eu posso pagar, mas isso pode pesar para consumidores de menor renda: uma ida ao supermercado que demande 5 sacolas para carregar os produtos sai por praticamente 1 real.

O saco de papel é reciclável e compostável e pode ser produzido a preços competitivos no mercado nacional: a ponto de, em um passado recente, ser distribuídao gratuitamente pelos próprios supermercados aos clientes. As chamadas 'ecobags' de algodão são em grande parte importadas da China - como grande parte dos produtos têxteis.

Mas pela redação da lei da capital mineira fica a dúvida de se o saco de papel entra na categoria de "sacolas ecológicas". Como há um movimento de que o banimento das sacolas plásticas convencionais se espalhe por outras capitais e grandes municípios, seria importante que esse hiato jurídico fosse bem analisado.

*Upideite(26/abr/2011): adido a esta data.
Upideite (22/dez/2011): as sacolas de papel parecem ter um impacto bem maior do que as sacolas plásticas convencionais, mas ainda são menos problemáticas do que as sacolas compostáveis. (A se notar que o estudo é americano, no Brasil, a contabilidade do impacto pode ser um tanto diferente, pela diferença na matriz energética.)