Voltando ao tema da interpretação de gráficos.
Acrescentando os dados do Vox Populi e a última rodada do Datafolha, temos o gráfico abaixo.
Basicamente temos o mesmo cenário anterior. O que muda a tendência de Russomano, agora mais claramente de ligeira subida. Serra continua em ligeira queda e Haddad virtualmente estável (um fraco indicativo de uma fraca ascensão).
Nenhum indício de que a grita de falsificação tenha alguma fundamentação.
Upideite(25/set/2012): Agora com a pesquisa Ibope que acaba de ser divulgada.
O padrão é basicamente o mesmo. Apenas reforça a ligeira tendência de aumento de opção de voto em Haddad.
Upideite(28/set/2012): A mais recente do Datafolha:
Aqui os dados mudam em relação à tendência anterior. Há que se esperar os dados dos demais institutos para confirmar se há mudança no padrão.
Upideite(02/out/2012): A última do Ibope:
A tendência de Russomano passa a ser de queda.
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segunda-feira, 24 de setembro de 2012
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Interpretando gráficos eleitorais
O blogue do Nassif publica texto do sociólogo Aldo Fornazieri analisando as eleições de São Paulo e, de passagem, comenta sobre os resultados das pesquisas de intenções de voto feitas pelo Datafolha e pelo Ibope.
"As pesquisas do Datafolha e do Ibope divulgadas nesta semana apontam para tendências contrárias. O Datafolha aponta para tendências de queda de Russomano e de Serra e de ascensão de Haddad. O Ibope aponta para tendências de queda de Serra e Haddad e de ascensão de Russomano. Ao que tudo indica, um dos dois institutos está errando."
Na verdade, as pesquisas apontam o *mesmo* padrão. E poderia até haver discrepâncias dentro do que o autor considera tendências contrárias sem que implicasse em erro por nenhum dos institutos.
Vamos para a primeira afirmação que fiz: o padrão é o mesmo. Vejam a figura 1.
É difícil falar em tendência de queda de Russomano para os dados do Datafolha dos dias 4 de setembro de 2012 e 9 de setembro. Os jornalistas políticos falam em oscilação com essa variação dentro da margem de erro. Em termos estatísticos os dois pontos são equivalentes. Pelo mesmo motivo não dá pra falar em tendência de ascensão de Haddad. Além disso, o período de comparação entre as pesquisas do Datafolha e do Ibope são diferentes: as pesquisas do Ibope são de 30 de agosto e de 12 de setembro.
Os resultados de ambos os institutos indicam uma tendência geral de estabilidade no período por volta de 29 de agosto a 12 de setembro - com moderada tendência de fraca queda das intenções de voto a José Serra. (Figura 2.)
Falemos agora sobre pesquisas indicarem "tendências" contrárias.
Especialmente nessa situação de estabilidade ou quase estabilidade, por efeito de amostragem, os pontos podem variar casualmente - sem indicarem uma tendência real de subida ou descida. Digamos que Russomano, no período, tenha 32% das intenções de voto dos eleitores paulistanos. A primeira amostragem do instituto A poderia resultar em 30% das intenções de voto e a segunda, 34% das intenções de voto; para o instituto B poderia ocorrer o oposto: 34% na primeira amostragem e 30% na segunda. E isso sem que tenha havido qualquer erro (e muito menos má fé). De fato, em 50% das vezes, um instituto terá um resultado que é numericamente inferior à média real, e, em outros 50% das vezes, o resultado será numericamente superior à média real. Então, para uma situação de estabilidade, em 25% dos casos, um instituto, em duas medidas, terá uma "tendência" de queda e, em 25%, uma "tendência" de subida. E uma probabilidade de 12,5% de indicar uma "tendência" contrária a outro instituto. Naturalmente, se as tendências indicadas permanecerem opostas (mesmo dentro da margem de erro) quando se tem mais e mais pontos de amostragem, aí sim teríamos algum problema.
"As pesquisas do Datafolha e do Ibope divulgadas nesta semana apontam para tendências contrárias. O Datafolha aponta para tendências de queda de Russomano e de Serra e de ascensão de Haddad. O Ibope aponta para tendências de queda de Serra e Haddad e de ascensão de Russomano. Ao que tudo indica, um dos dois institutos está errando."
Na verdade, as pesquisas apontam o *mesmo* padrão. E poderia até haver discrepâncias dentro do que o autor considera tendências contrárias sem que implicasse em erro por nenhum dos institutos.
Vamos para a primeira afirmação que fiz: o padrão é o mesmo. Vejam a figura 1.
Figura 1. Evolução das intenções de voto para prefeito em São Paulo-SP. Barra: margem de erro (fixa em 3%). RUS - Russomano, SER - Serra, HAD - Haddad; DF - Datafolha, IB - Ibope.
É difícil falar em tendência de queda de Russomano para os dados do Datafolha dos dias 4 de setembro de 2012 e 9 de setembro. Os jornalistas políticos falam em oscilação com essa variação dentro da margem de erro. Em termos estatísticos os dois pontos são equivalentes. Pelo mesmo motivo não dá pra falar em tendência de ascensão de Haddad. Além disso, o período de comparação entre as pesquisas do Datafolha e do Ibope são diferentes: as pesquisas do Ibope são de 30 de agosto e de 12 de setembro.
Os resultados de ambos os institutos indicam uma tendência geral de estabilidade no período por volta de 29 de agosto a 12 de setembro - com moderada tendência de fraca queda das intenções de voto a José Serra. (Figura 2.)
Figura 2. Evolução das intenções de voto para a prefeitura de São Paulo. Quadrados: Russomano; losangos: Serra; triângulos: Haddad. Tons escuros: Datafolha, tons claros: Ibope.
Falemos agora sobre pesquisas indicarem "tendências" contrárias.
Especialmente nessa situação de estabilidade ou quase estabilidade, por efeito de amostragem, os pontos podem variar casualmente - sem indicarem uma tendência real de subida ou descida. Digamos que Russomano, no período, tenha 32% das intenções de voto dos eleitores paulistanos. A primeira amostragem do instituto A poderia resultar em 30% das intenções de voto e a segunda, 34% das intenções de voto; para o instituto B poderia ocorrer o oposto: 34% na primeira amostragem e 30% na segunda. E isso sem que tenha havido qualquer erro (e muito menos má fé). De fato, em 50% das vezes, um instituto terá um resultado que é numericamente inferior à média real, e, em outros 50% das vezes, o resultado será numericamente superior à média real. Então, para uma situação de estabilidade, em 25% dos casos, um instituto, em duas medidas, terá uma "tendência" de queda e, em 25%, uma "tendência" de subida. E uma probabilidade de 12,5% de indicar uma "tendência" contrária a outro instituto. Naturalmente, se as tendências indicadas permanecerem opostas (mesmo dentro da margem de erro) quando se tem mais e mais pontos de amostragem, aí sim teríamos algum problema.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Superfreak - álcool nas ideias
Ainda não terminei de ler o "Superfreakonomics" de Steven Levitt e Stephen Dubner (2010 Ed. Campus/Elsevier, 247 pp.) - quando terminá-lo de anotar, devo publicar uma resenha em meu outro blogue -, mas já tem uma coisa que me pareceu estranha.
Entre as páginas 1 e 3, Levitt analisa o risco relativo de dirigir embrigado e andar embriagado. (Aqui tem o trecho a que me refiro.)
Os números que ele dá (referente aos Estados Unidos):
1 de 140 milhas percorridas de carro são sob o efeito do álcool (num total de 21 bilhões de milhas anuais embriagado);
1 prisão a cada 27 mil milhas percorridas de carro sob embriaguez;
mais de 1.000 pedestres embriagados morrem em acidentes de trânsito por ano;
13.000 mortes por ano em acidentes de trânsito relacionados ao álcool;
cada americano anda a pé cerca de 0,5 milha diária - com uma população de 237 milhões de pessoas acima de 16 anos, isso equivale a 43 bilhões de milhas anuais a pé;
Aí, os autores escrevem: "Se assumirmos que uma em cada 140 milhas são percorridas a pé por bêbados - a mesma proporção da milhagem por motoristas embriagados -, os americanos caminham bêbados 307 [milhões de] milhas por ano./Calculando-se a probabilidade, conclui-se que, por milha, caminhar bêbado é oito vezes mais letal que dirigir bêbado./[...] Portanto, ao deixar a festa do amigo, a decisão certa é inequívoca: dirigir é mais seguro do que andar [...]". (Grifo meu.)
Nesse caso, a se aceitar o risco de 8 vezes, as mais de 1.000 mortes passam de 1.500.
Os autores falam que isso é inequívoco. Mas há uma séria limitação nisso. Que é a parte: "Se assumirmos...". É uma suposição - e nem uma muito razoável -, isso faz com que o resultado final seja no máximo tão boa quanto essa suposição. Isso não é ser inequívoco.
Infelizmente desconheço a quantidade real de milhas percorridas por pessoas embriagadas. Os dados que consegui obter foram o número de prisões em algumas cidades da Califórnia de pessoas por "embriaguez pública" - como isso é diferente de "direção alcoolizada", podemos assumir que são pessoas que estavam em local público sem estar ao volante.
Foram 18.710 prisões em 2007. As cidades abrangidas têm uma população total de cerca de 27 milhões de pessoas. Isso dá cerca de 1 prisão a cada 1.445 pessoas por ano (contando crianças, jovens e adultos na população) - a população adulta no estado da Califórnia é de cerca de 75% (aqui) : então teríamos uma prisão a cada 1.083,64 adultos californianos.
Em contraste, a direção embriagada resultaria em 1 prisão a cada 304,71 americanos com mais de 16 anos.
Bem, não dá pra comparar os riscos de prisão porque a minoria dos estados e cidades americanos legislam sobre prisão por embriaguez pública, então não é possível extrapolar a média californiana para o país.
Mas isso nos permite desconfiar da proporção assumida de 1 milha percorrida sob influência alcoólica a cada 140 milhas percorridas a pé. Levitt enfatiza as chances baixas de prisão em caso de direção alcoolizada (volta a enfatizar as chances baixas de prisão por outros delitos - como um cliente em Chicago ter a chance de 1 prisão a cada 1.200 abordagens na rua de uma prostituta - p. 29; as prostitutas têm uma chance de prisão de 1 a cada 450 encontros - p. 37). É menos arriscado assumir que as chances de prisão são também baixas por andar a pé - então o número de prisões é uma subestimativa do total de pessoas que andam embriagadas em público.
Se uma a cada 100 pessoas que andam embriagadas na Califórnia são presas, teremos algo como 10% dos californianos andarem bêbadas - ao menos no nível alcoólico que provoca acidentes de trânsito quando à direção de um veículo automotor. É um número conservador se comparado com os dados sobre o uso de álcool pelos americanos. O chute de 1 a cada 140 milhas parece, assim, subestimar muito o quanto as pessoas andam depois de consumir bebidas alcoólicas. [Como curiosidade, na então Iugoslávia, em 2001, foram feitos estudos em 1.076 corpos autopsiados. 218 haviam morrido de causas naturais, destes, 28 (12,8%) estavam sob influência do álcool. Entre os que morreram em acidente automobilístico, 12,5% de 176 pedestres estavam alcoolizados, 7,7% de 13 motociclistas, 23,5% de 34 ciclistas e 33,8% de 74 motoristas.]
Outro sério problema. As estatísticas não comparam o grau de embriaguez. Por estudos, sabe-se que 8 dg de álcool por dl de sangue é um nível que altera perigosamente a capacidade de direção. No carro, a alta velocidade exige reflexos e atenção. As 1.500 mortes anuais de ébrios a pé podem perfeitamente se referir a pessoas excessivamente alcoolizadas (Levitt fala dos casos de pessoas que se deitam em vias públicas - e são atropeladas - somente alguém muito embriagado faz isso - literalmente e de paixão).
Entre as páginas 1 e 3, Levitt analisa o risco relativo de dirigir embrigado e andar embriagado. (Aqui tem o trecho a que me refiro.)
Os números que ele dá (referente aos Estados Unidos):
1 de 140 milhas percorridas de carro são sob o efeito do álcool (num total de 21 bilhões de milhas anuais embriagado);
1 prisão a cada 27 mil milhas percorridas de carro sob embriaguez;
mais de 1.000 pedestres embriagados morrem em acidentes de trânsito por ano;
13.000 mortes por ano em acidentes de trânsito relacionados ao álcool;
cada americano anda a pé cerca de 0,5 milha diária - com uma população de 237 milhões de pessoas acima de 16 anos, isso equivale a 43 bilhões de milhas anuais a pé;
Aí, os autores escrevem: "Se assumirmos que uma em cada 140 milhas são percorridas a pé por bêbados - a mesma proporção da milhagem por motoristas embriagados -, os americanos caminham bêbados 307 [milhões de] milhas por ano./Calculando-se a probabilidade, conclui-se que, por milha, caminhar bêbado é oito vezes mais letal que dirigir bêbado./[...] Portanto, ao deixar a festa do amigo, a decisão certa é inequívoca: dirigir é mais seguro do que andar [...]". (Grifo meu.)
Nesse caso, a se aceitar o risco de 8 vezes, as mais de 1.000 mortes passam de 1.500.
Os autores falam que isso é inequívoco. Mas há uma séria limitação nisso. Que é a parte: "Se assumirmos...". É uma suposição - e nem uma muito razoável -, isso faz com que o resultado final seja no máximo tão boa quanto essa suposição. Isso não é ser inequívoco.
Infelizmente desconheço a quantidade real de milhas percorridas por pessoas embriagadas. Os dados que consegui obter foram o número de prisões em algumas cidades da Califórnia de pessoas por "embriaguez pública" - como isso é diferente de "direção alcoolizada", podemos assumir que são pessoas que estavam em local público sem estar ao volante.
Foram 18.710 prisões em 2007. As cidades abrangidas têm uma população total de cerca de 27 milhões de pessoas. Isso dá cerca de 1 prisão a cada 1.445 pessoas por ano (contando crianças, jovens e adultos na população) - a população adulta no estado da Califórnia é de cerca de 75% (aqui) : então teríamos uma prisão a cada 1.083,64 adultos californianos.
Em contraste, a direção embriagada resultaria em 1 prisão a cada 304,71 americanos com mais de 16 anos.
Bem, não dá pra comparar os riscos de prisão porque a minoria dos estados e cidades americanos legislam sobre prisão por embriaguez pública, então não é possível extrapolar a média californiana para o país.
Mas isso nos permite desconfiar da proporção assumida de 1 milha percorrida sob influência alcoólica a cada 140 milhas percorridas a pé. Levitt enfatiza as chances baixas de prisão em caso de direção alcoolizada (volta a enfatizar as chances baixas de prisão por outros delitos - como um cliente em Chicago ter a chance de 1 prisão a cada 1.200 abordagens na rua de uma prostituta - p. 29; as prostitutas têm uma chance de prisão de 1 a cada 450 encontros - p. 37). É menos arriscado assumir que as chances de prisão são também baixas por andar a pé - então o número de prisões é uma subestimativa do total de pessoas que andam embriagadas em público.
Se uma a cada 100 pessoas que andam embriagadas na Califórnia são presas, teremos algo como 10% dos californianos andarem bêbadas - ao menos no nível alcoólico que provoca acidentes de trânsito quando à direção de um veículo automotor. É um número conservador se comparado com os dados sobre o uso de álcool pelos americanos. O chute de 1 a cada 140 milhas parece, assim, subestimar muito o quanto as pessoas andam depois de consumir bebidas alcoólicas. [Como curiosidade, na então Iugoslávia, em 2001, foram feitos estudos em 1.076 corpos autopsiados. 218 haviam morrido de causas naturais, destes, 28 (12,8%) estavam sob influência do álcool. Entre os que morreram em acidente automobilístico, 12,5% de 176 pedestres estavam alcoolizados, 7,7% de 13 motociclistas, 23,5% de 34 ciclistas e 33,8% de 74 motoristas.]
Outro sério problema. As estatísticas não comparam o grau de embriaguez. Por estudos, sabe-se que 8 dg de álcool por dl de sangue é um nível que altera perigosamente a capacidade de direção. No carro, a alta velocidade exige reflexos e atenção. As 1.500 mortes anuais de ébrios a pé podem perfeitamente se referir a pessoas excessivamente alcoolizadas (Levitt fala dos casos de pessoas que se deitam em vias públicas - e são atropeladas - somente alguém muito embriagado faz isso - literalmente e de paixão).
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Sla. Ma che?
O Terra Magazine traz uma reportagem interessante sobre o drama do ex-jogador de futebol Stefano Borgonovo e sua luta contra a esclerose lateral amiotrófica, a mesma que acomete o físico Stephen Hawking.
Destaco apenas um trecho que me pareceu estranho:
"O juiz Raffaele Guariniello, de Turim, especializado em inquéritos sobre o doping, está tentando responder a uma pergunta difícil: por que a incidência da ELA é muito mais alta entre os jogadores de futebol do que no resto da população italiana? A cada ano, na Itália a 'stronza' afeta 6 pessoas entre 100.000; mas em 10 anos 43 ex-jogadores adoeceram."
Se a taxa fosse igual à da população em geral, isso projetaria uma subpopulação de cerca de 720.000 jogadores. Mas segundo a Fifa, na Itália, há mais de 1,5 milhão de jogadores registrados, em um total de quase 5 milhões de jogadores de futebol na Velha Bota. Como assim, então, seria muito mais alta entre jogadores de futebol? Ao contrário, parece ser muito mais baixa!
Destaco apenas um trecho que me pareceu estranho:
"O juiz Raffaele Guariniello, de Turim, especializado em inquéritos sobre o doping, está tentando responder a uma pergunta difícil: por que a incidência da ELA é muito mais alta entre os jogadores de futebol do que no resto da população italiana? A cada ano, na Itália a 'stronza' afeta 6 pessoas entre 100.000; mas em 10 anos 43 ex-jogadores adoeceram."
Se a taxa fosse igual à da população em geral, isso projetaria uma subpopulação de cerca de 720.000 jogadores. Mas segundo a Fifa, na Itália, há mais de 1,5 milhão de jogadores registrados, em um total de quase 5 milhões de jogadores de futebol na Velha Bota. Como assim, então, seria muito mais alta entre jogadores de futebol? Ao contrário, parece ser muito mais baixa!
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Das pesquisas eleitorais
Muitas pessoas falando dos erros das previsões das pesquisas de boca-de-urna para o resultado do 1o turno das eleições municipais realizadas dia 5 de outubro último. Inclusive gente séria como Alberto Dines. E a chiadeira não é novidade, reaparece a cada eleição.
Algumas coisas têm cabimento nas ponderações feitas: pesquisa não é destino, há margem de erro e erro além da margem de erro. Eventualmente tem sim manipulações - embora empresas que dependem de sua credibilidade procurem cercar-se de cuidados na produção dos resultados.
Por simplificação, os institutos de pesquisa e as empresas de comunicação dão para cada pesquisa um único número de margem de erro: os valores de cada ponto podem estar acima ou abaixo do valor apontado dentro da margem de erro. Alguns detalham e indicam que a margem de erro significa que, se 100 pesquisas fossem feitas com a mesma metodologia e com as mesmas condições, em 95 delas os valores estariam dentro dessa margem de erro dada. Isso é simplificação - na verdade cada ponto tem sua própria margem de erro, mas explicar isso pode demandar tempo demais ou espaço demais em um telejornal ou em um jornal impresso. Simplificado o quanto seja, isso não está tão longe assim da realidade. Aqui uma explicação mais detalhada.
Mas será mesmo que os institutos de pesquisa erraram? O caso mais comentado é o resultado do 1o turno em São Paulo. Na pesquisa de boca-de-urna do Ibope, Marta (PT) aparecia com 36% e Kassab (DEM), com 32%. No resultado oficial, Kassab ficou com 34% e Marta com 32%. Como pode isso?
Vamos observar a tabela com os resultados das pesquisas de boca-de-urna do Ibope com o resultado final computados pelo TSE:
Apenas quatro entradas (de 26) da tabela ficaram fora da margem de erro. Por uma proporção simplória de 5%, seriam esperadas 1,3 entradas fora da margem, mas pelo pequeno número de entradas, é possível haver esse desvio sem maiores problemas. A coisa começaria a ficar ruim se, por exemplo, 30 entradas de 260 estivessem fora. (Essa análise é simplória, pois, entre outras coisas, está a considerar a margem única divulgada nas pesquisas.)
Mas os resultados batem com quem vence no 1o turno e quem vai para o 2o. A única inversão na ordem é o caso de São Paulo que causou muita celeuma. Porém, se compararmos os números, Kassab, Marta e Alckmin tiveram votações compatíveis com os resultados da boca-de-urna: Kassab teve 34% e a pesquisa indicava que ele teria entre 30 e 34%. Marta teve 33%, não muito longe da margem estimada entre 34 e 38%. Alckmin com seus 22%, está bem dentro da faixa de 19 a 23%. Isso para uma taxa de acerto de 95%. É perfeitamente possível que os valores fiquem fora da margem - ficando complicado apenas quando fica muito fora ou muitas entradas ficam fora.
O que é surpreendente é, na verdade, o grande grau de aproximação entre a estimativa e o resultado final. Especialmente quando temos em mente que os entrevistados não têm obrigação alguma de dizer a verdade e revelar seu voto (cujo sigilo é um direito constitucional).
A proximidade entre os resultados da pesquisa e a totalização indica também que é pouco provável que tenha havido manipulação direta: tanto na pesquisa, quanto no processo eleitoral.
Há quem classifique a possibilidade de influência do resultado da pesquisa sobre o voto como manipulação - a respeitável opinião de Dines se aproxima disso. Eu discordo, se a pessoa deseja votar em quem está a frente, é direito dela.
Algumas coisas têm cabimento nas ponderações feitas: pesquisa não é destino, há margem de erro e erro além da margem de erro. Eventualmente tem sim manipulações - embora empresas que dependem de sua credibilidade procurem cercar-se de cuidados na produção dos resultados.
Por simplificação, os institutos de pesquisa e as empresas de comunicação dão para cada pesquisa um único número de margem de erro: os valores de cada ponto podem estar acima ou abaixo do valor apontado dentro da margem de erro. Alguns detalham e indicam que a margem de erro significa que, se 100 pesquisas fossem feitas com a mesma metodologia e com as mesmas condições, em 95 delas os valores estariam dentro dessa margem de erro dada. Isso é simplificação - na verdade cada ponto tem sua própria margem de erro, mas explicar isso pode demandar tempo demais ou espaço demais em um telejornal ou em um jornal impresso. Simplificado o quanto seja, isso não está tão longe assim da realidade. Aqui uma explicação mais detalhada.
Mas será mesmo que os institutos de pesquisa erraram? O caso mais comentado é o resultado do 1o turno em São Paulo. Na pesquisa de boca-de-urna do Ibope, Marta (PT) aparecia com 36% e Kassab (DEM), com 32%. No resultado oficial, Kassab ficou com 34% e Marta com 32%. Como pode isso?
Vamos observar a tabela com os resultados das pesquisas de boca-de-urna do Ibope com o resultado final computados pelo TSE:
| Cidade | Candidato (partido) | previsão | resultado |
| Belo Horizonte - MG | Márcio Lacerda (PSB) | 45% | 44% |
| m.e. 3% | Leonardo Quintão (PMDB) | 38% | 41% |
| São Paulo - SP | Marta (PT) | 36% | 33% |
| m.e. 2% | Kassab (DEM) | 32% | 34% |
| Alckmin (PSDB) | 21% | 22% | |
| Rio de Janeiro - RJ | Eduardo Paes (PMDB) | 33% | 32% |
| m.e. 2% | Fernando Gabeira (PV) | 23% | 26% |
| Marcelo Crivella (PRB) | 20% | 19% | |
| Florianópolis - SC | Dário (PMDB) | 43% | 40% |
| m.e. 3% | Espiridião Amin (PP) | 23% | 25% |
| Porto Alegre - RS | José Fogaça (PMDB) | 39% | 44% |
| m.e. 2% | Maria do Rosário (PT) | 23% | 23% |
| Manuela D'Ávila (PCdoB) | 19% | 15% | |
| Belém - PA | Duciomar Costa (PTB) | 33% | 35% |
| m.e. 2% | José Priante (PMDB) | 21% | 19% |
| Mário Cardoso (PT) | 19% | 18% | |
| Recife - PE | João da Costa (PT) | 54% | 52% |
| m.e. 2% | Mendonça Filho (DEM) | 24% | 25% |
| Curitiba - PR | Beto Richa (PSDB) | 78% | 77% |
| m.e. 2% | Gleisi (PT) | 19% | 18% |
| Salvador - BA | João Henrique (PMDB) | 31% | 31% |
| m.e. 2% | Walter Pinheiro (PT) | 31% | 30% |
| ACM Neto (DEM) | 27% | 27% | |
| Fortaleza - CE | Luizianne Lins (PT) | 53% | 50% |
| m.e. 2% | Moroni (DEM) | 25% | 25% |
| Patricia (PDT) | 15% | 15% |
Apenas quatro entradas (de 26) da tabela ficaram fora da margem de erro. Por uma proporção simplória de 5%, seriam esperadas 1,3 entradas fora da margem, mas pelo pequeno número de entradas, é possível haver esse desvio sem maiores problemas. A coisa começaria a ficar ruim se, por exemplo, 30 entradas de 260 estivessem fora. (Essa análise é simplória, pois, entre outras coisas, está a considerar a margem única divulgada nas pesquisas.)
Mas os resultados batem com quem vence no 1o turno e quem vai para o 2o. A única inversão na ordem é o caso de São Paulo que causou muita celeuma. Porém, se compararmos os números, Kassab, Marta e Alckmin tiveram votações compatíveis com os resultados da boca-de-urna: Kassab teve 34% e a pesquisa indicava que ele teria entre 30 e 34%. Marta teve 33%, não muito longe da margem estimada entre 34 e 38%. Alckmin com seus 22%, está bem dentro da faixa de 19 a 23%. Isso para uma taxa de acerto de 95%. É perfeitamente possível que os valores fiquem fora da margem - ficando complicado apenas quando fica muito fora ou muitas entradas ficam fora.
O que é surpreendente é, na verdade, o grande grau de aproximação entre a estimativa e o resultado final. Especialmente quando temos em mente que os entrevistados não têm obrigação alguma de dizer a verdade e revelar seu voto (cujo sigilo é um direito constitucional).
A proximidade entre os resultados da pesquisa e a totalização indica também que é pouco provável que tenha havido manipulação direta: tanto na pesquisa, quanto no processo eleitoral.
Há quem classifique a possibilidade de influência do resultado da pesquisa sobre o voto como manipulação - a respeitável opinião de Dines se aproxima disso. Eu discordo, se a pessoa deseja votar em quem está a frente, é direito dela.
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