O resultado da pesquisa do Datafolha a respeito da visão religiosa do brasileiro produziu um resultado inusitado. Dentre os que se declararam ser ateu ou não acreditar em deus, 23% dizem concordar com a frase: "Todo o sucesso financeiro de minha vida eu devo, em primeiro lugar, a Deus".
Inusitado, mas não é a primeira vez que algo similar ocorre. Em pesquisa sobre criacionismo, em 2010, 33% dos que se declararam ateu para o Datafolha responderam que deus guiou o processo de evolução das espécies.
O que provavelmente vem ocorrendo é que, como os ateus são grupo muito reduzido no Brasil - em 2010 eram apenas 615 mil segundo o Censo do IBGE, 0,315% da população de então -, essas pesquisas de opinião nacional falham em captar amostras representativas. Os falsos positivos - crentes que erroneamente se declaram ateus - facilmente atingem magnitude equivalente ao dos positivos verdadeiros: basta uma taxa de erro de 1 em 315 para isso se dar.
O erro, então, está em apresentar os valores obtidos sem esse tipo de consideração. Os valores para outros grupos religiosos - com um número bem maior de pessoas que declaram pertencer a eles - provavelmente serão bem mais próximos dos reais.
Com 2.828 entrevistas, são esperadas 9 pessoas que se declaram ateias. Se, entre os 2.819 entrevistados restantes, apenas 1 em 315 erroneamente se declararem ateus, serão 9 falsos ateus na amostra. Aliás, no longo curso, o conjunto de pesquisas do Datafolha podem ajudar a calibrar a taxa de falha nas declarações.
De modo mais ou menos consistente entre um quinto e a metade dos que se identificam como ateus aos entrevistadores do Datafolha dão respostas a outros temas que não são compatíveis. Então a taxa de falha está em algo entre 1 em 315 e 1 em 1.000.
Problema ligado, mas ligeiramente distinto, ocorre também na detecção do tamanho real desses grupos muito pequenos por amostragens nacionais: como do tamanho de torcidas do Fluminense e da Portuguesa, p.e.
Upideite(31/dez/2016): O Datafolha liberou o relatório do levantamento. O número de ateus na pesquisa é bem superior ao esperado em cima dos dados do Censo: foram 38 pessoas que se declararam ateias para os entrevistadores do instituto.
Upideite(31/dez/2016): Veja também:
Pirula. 27/dez/2016. Datafolha e os ateus que rezam por dinheiro.
Leandro Domiciano. Universo Racionalista. 31/dez/2016. Ateus que acreditam em Deus? Entenda o que deu errado na pesquisa do Datafolha.
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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
domingo, 16 de janeiro de 2011
Como ajudar as vítimas das chuvas
Há vários modos de se ajudar as vítimas da região serrana do Rio de Janeiro.
Quem mora em outros estados pode doar para as filiais da Cruz Vermelha. Mas o melhor seriam doações em dinheiro para a Defesa Civil: evita o problema de transporte dos donativos e permite a aplicação dos recursos onde necessário.
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Travei um diálogo surreal com uma entidade ateísta. Propus uma campanha para doação. Não quiseram com a justificativa de que isso seria "competir com as igrejas".
Sério, depois que as pessoas falam que ateus são 'desalmados' reclamam que é preconceito. Mas como classificar uma atitude de recusa de se mobilizar a ajudar pessoas em uma situação de tragédia por conta de um cálculo de conveniência? De que adiantariam "ônibus ateus"?
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Upideite(16/jan/2011): Respondi como abaixo a esta postagem no blogue do Nassif sobre a iniciativa do Peixe Urbano de arrecadar doações:
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Sorry, mas por essa linha de raciocínio *qualquer* tentativa de ajuda será exploração da tragédia.
Quem mora em outros estados pode doar para as filiais da Cruz Vermelha. Mas o melhor seriam doações em dinheiro para a Defesa Civil: evita o problema de transporte dos donativos e permite a aplicação dos recursos onde necessário.
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Travei um diálogo surreal com uma entidade ateísta. Propus uma campanha para doação. Não quiseram com a justificativa de que isso seria "competir com as igrejas".
Sério, depois que as pessoas falam que ateus são 'desalmados' reclamam que é preconceito. Mas como classificar uma atitude de recusa de se mobilizar a ajudar pessoas em uma situação de tragédia por conta de um cálculo de conveniência? De que adiantariam "ônibus ateus"?
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Upideite(16/jan/2011): Respondi como abaixo a esta postagem no blogue do Nassif sobre a iniciativa do Peixe Urbano de arrecadar doações:
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Sorry, mas por essa linha de raciocínio *qualquer* tentativa de ajuda será exploração da tragédia.
A Cruz Vermelha ganha na imagem com doações alheias. A Igreja idem. A rede de concessionárias idem. O Bradesco idem. Os supermercados e shoppings idem. Os blogues que fazem campanha idem.
Por q só o Peixe Urbano fica sob suspeição? Quem audita as demais doações?
Escolha o meio em que confia mais e doe. Não fique zoando com o trabalho de outros: a menos que tenha provas. Ficar lançando suspeitas é o mesmo que grampo sem áudio.
[]s,
Roberto Takata
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Upideite(17/jan/2011): Funcionária do Peixe Urbano rechaça no blogue do Nassif as suspeitas levantadas.
domingo, 12 de dezembro de 2010
ATEA tu, Brutus? - 2
A ATEA continua sua saga (acho que podemos chamar disso) para tentar emplacar a campanha do "Ônibus ateu". Desta vez as empresas de ônibus estão criando resistências.
O argumento delas é de que as mensagens são ofensivas à religião e crença - violando legislação local e nacional sobre publicidade.
Pelo menos para algumas peças, eu concordo: as mensagens são ofensivas, sim, à religião.

Vincular crença em deus a Hitler e ao terrorismo não é o melhor exemplo de relações públicas.
Com razão, representaram no MP contra o apresentador Datena por dizer que criminosos são ateus (e vice-versa), e vão usar o mesmo tipo de argumento sobre religião?
Continuo favorável à organização de grupos sociais na defesa de seus direitos. Continuo favorável a que ateus se organizem para combater o preconceito contra eles. Continuo favorável à campanhas do tipo "ônibus ateu". Apenas acho que deveriam escolher melhor as frases. Poderiam, por exemplo, só usar a imagem de Chaplin identificando-o como ateu - não precisa usar imagem de Hitler dizendo que ele acredita em deus.
Ou só a frase mote da campanha: "Diga não ao preconceito contra os ateus".
O argumento delas é de que as mensagens são ofensivas à religião e crença - violando legislação local e nacional sobre publicidade.
Pelo menos para algumas peças, eu concordo: as mensagens são ofensivas, sim, à religião.
Vincular crença em deus a Hitler e ao terrorismo não é o melhor exemplo de relações públicas.
Com razão, representaram no MP contra o apresentador Datena por dizer que criminosos são ateus (e vice-versa), e vão usar o mesmo tipo de argumento sobre religião?
Continuo favorável à organização de grupos sociais na defesa de seus direitos. Continuo favorável a que ateus se organizem para combater o preconceito contra eles. Continuo favorável à campanhas do tipo "ônibus ateu". Apenas acho que deveriam escolher melhor as frases. Poderiam, por exemplo, só usar a imagem de Chaplin identificando-o como ateu - não precisa usar imagem de Hitler dizendo que ele acredita em deus.
Ou só a frase mote da campanha: "Diga não ao preconceito contra os ateus".
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
I have a dream ou ateísmo proselitista intolerante
1963, uma multidão de 250 mil almas se aglomera diante do Memorial Lincoln. Elas haviam se reunido para a Marcha pelo Trabalho e pela Liberdade em Washington. Um pastor protestante se dirige ao púlpito para falar aos presentes.
Martinho Lutero Rei Filho inicia seu discurso. Ele começa a falar de um sonho que tem. No meio de sua fala firme, mas não histérica, ele diz:
"Eu tenho um sonho de que um dia, no meio do Alabama, com seus vis racistas, com seus lábios balbuciando palavras sobre 'interposição' e 'nulificação' - um dia, bem ali no Alabama garotinhos negros e garotinhas negras poderão passear livremente porque garotinhos brancos e garotinhas brancas terão desaparecido."
Não, claro que Martin Luther King Jr. não disse isso. Ele falou algo bem diferente:
"I have a dream that one day, down in Alabama, with its vicious racists, with its governor having his lips dripping with the words of 'interposition' and 'nullification' -- one day right there in Alabama little black boys and black girls will be able to join hands with little white boys and white girls as sisters and brothers."
Não, senhor Dawkins; não, senhor Harris; seus discursos não são como de Martin Luther King Jr. (e eu sei que não disseram que fossem), mas são como o discurso de Martinho Lutero Rei Filho (e eu sei que acham que não são).
Uma coisa é defender os ateus contra o massacre promovido por religiosos de diferentes matizes. Nisso, mesmo não sendo propriamente ateu, juntaria gratamente a minha voz para denunciar tais abusos, para vociferar um basta!
Mas não posso coadunar-me com o discurso que vai além e prega a destruição do outro - não sua morte propriamente, mas sua extinção. Uma coisa é dizer: "Chega de preconceito contra os ateus". Outra, bem diferente é dizer: "Acabem com a religião!". Uma coisa é dizer: "Ateus não são maus, ateus são éticos". Outra é dizer: "Religiosos são maus, religiosos não são éticos".
Eu os vaio como vaiaria a um negro que, em vez de dizer: "Viva a negritude!" dissesse "Vamos desbranquear o país!".
Se sonhos se tornam realidade, meu sonho é que no mesmo Alabama, um dia, garotinhos ateus e garotinhas ateias possam dar as mãos com garotinhos crentes e garotinha crentes como irmãos e irmãs.
Que o branco e o negro desapareçam, não porque não existam mais homens brancos e negros e mulheres brancas e negras, mas porque ninguém mais se importa com a cor da pele que o outro tem ou deixa de ter.
Que a religião e o ateísmo desapareçam, não porque ninguém mais crê ou deixa de crer em alguma divindade, mas porque ninguém mais se importa com se o outro crê ou deixar de crer em alguma divindade.
Upideite (28/fev/2009): Com "ateísmo proselitista intolerante" não estou dizendo que todo ateu é proselitista e intolerante, não estou nem mesmo dizendo que todo ateu proselitista é intolerante. A crítica acima é específica para a parte dos ateus que são proselitistas e intolerantes: nomeei dois dessa lavra, Dawkins e Harris.
Martinho Lutero Rei Filho inicia seu discurso. Ele começa a falar de um sonho que tem. No meio de sua fala firme, mas não histérica, ele diz:
"Eu tenho um sonho de que um dia, no meio do Alabama, com seus vis racistas, com seus lábios balbuciando palavras sobre 'interposição' e 'nulificação' - um dia, bem ali no Alabama garotinhos negros e garotinhas negras poderão passear livremente porque garotinhos brancos e garotinhas brancas terão desaparecido."
Não, claro que Martin Luther King Jr. não disse isso. Ele falou algo bem diferente:
"I have a dream that one day, down in Alabama, with its vicious racists, with its governor having his lips dripping with the words of 'interposition' and 'nullification' -- one day right there in Alabama little black boys and black girls will be able to join hands with little white boys and white girls as sisters and brothers."
Não, senhor Dawkins; não, senhor Harris; seus discursos não são como de Martin Luther King Jr. (e eu sei que não disseram que fossem), mas são como o discurso de Martinho Lutero Rei Filho (e eu sei que acham que não são).
Uma coisa é defender os ateus contra o massacre promovido por religiosos de diferentes matizes. Nisso, mesmo não sendo propriamente ateu, juntaria gratamente a minha voz para denunciar tais abusos, para vociferar um basta!
Mas não posso coadunar-me com o discurso que vai além e prega a destruição do outro - não sua morte propriamente, mas sua extinção. Uma coisa é dizer: "Chega de preconceito contra os ateus". Outra, bem diferente é dizer: "Acabem com a religião!". Uma coisa é dizer: "Ateus não são maus, ateus são éticos". Outra é dizer: "Religiosos são maus, religiosos não são éticos".
Eu os vaio como vaiaria a um negro que, em vez de dizer: "Viva a negritude!" dissesse "Vamos desbranquear o país!".
Se sonhos se tornam realidade, meu sonho é que no mesmo Alabama, um dia, garotinhos ateus e garotinhas ateias possam dar as mãos com garotinhos crentes e garotinha crentes como irmãos e irmãs.
Que o branco e o negro desapareçam, não porque não existam mais homens brancos e negros e mulheres brancas e negras, mas porque ninguém mais se importa com a cor da pele que o outro tem ou deixa de ter.
Que a religião e o ateísmo desapareçam, não porque ninguém mais crê ou deixa de crer em alguma divindade, mas porque ninguém mais se importa com se o outro crê ou deixar de crer em alguma divindade.
Upideite (28/fev/2009): Com "ateísmo proselitista intolerante" não estou dizendo que todo ateu é proselitista e intolerante, não estou nem mesmo dizendo que todo ateu proselitista é intolerante. A crítica acima é específica para a parte dos ateus que são proselitistas e intolerantes: nomeei dois dessa lavra, Dawkins e Harris.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
ATEA tu, Brutus?
A Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, chamada de ATEA, foi lançada em novembro de 2008. Conta com cerca de 160 membros e tem como presidente um amigo meu, Daniel Sottomaior (quem assiste à Luciana Gimenes na Rede TV! deve tê-lo visto algumas vezes por lá).
Inspirada em campanhas como o "Ônibus Ateu", da jornalista britânica Ariane Sherine (encampada pela British Humanist Association), a ATEA lançou uma proposta similar. A campanha da ATEA ganhou uma reportagem do Terra.
Daniel é meu amigo, mas quem tem um amigo como eu não deve precisar muito de adversários.
Farei aqui uma crítica. Não tenho certeza se ela é construtiva.
1) Por que eu tenho um pé atrás em relação à ATEA? Ela nominalmente pretende representar ateus *e* agnósticos, mas no próprio nome fantasia, ela remete exclusivamente à "ateidade" (permita-me o neologismo para designar um caráter não necessariamente militante de quem é ateu) ou mesmo ao ateísmo (aqui referindo-se ao caráter do ateu militante).
1.1) Mesmo não sendo intencional - e não tenho a menor dúvida de que *não* é intencional - isso faz com que os agnósticos fiquem, não apenas em um plano inferior, mas funcionem simplesmente como uma escada: dar volume e emprestar uma maior representatividade ao movimento para um esforço que beneficiará quase que exclusivamente aos ateus.
1.2) Provavelmente, Sottomaior falou sobre os agnósticos na campanha, mas até pelo nome ATEA (e pela inspiração da campanha ateia britânica), ficou como uma campanha exclusivamente ateia.
2) "Enquanto isso, os ateus já traçam outros planos. Um deles é o Dia do Orgulho Ateu, a ser comemorado em 12 de fevereiro, data do nascimento do naturalista britânico Charles Darwin (1809-1882)". Canibalizar o Darwin Day para representar o ateísmo/ateidade é um grande desserviço em relação à compreensão da teoria da evolução pelos crentes - reforçando a identificação dela com o ateísmo e, o maior problema, anti-religiosidade. Essa é uma crítica que tenho em relação a Dawkins em obras como "Deus: um delírio". (Dawkins não é um exemplo de relações públicas.) Aqui um texto interessante do jornalista Reinaldo José Lopes sobre evolução e ateísmo.
3) "[...] os dos nossos *concorrentes*, a Igreja" - não tenho certeza a respeito da intencionalidade ou não, mas isso textualmente coloca a campanha e a ATEA como *anti*-clericais ou mesmo *anti*-religiosas. E não simplesmente arreligiosa (ou é a-religiosa na nova ortografia?).
4) "Usamos muitas analogias do movimento gay porque muitos deles acham que são a última minoria, mas somos nós." - sou testemunha de que Sottomaior *não* é homofóbico, muito ao *contrário* (não, ele mesmo não é guei, mas participa frequentemente de encontro e ações de defesa do direito LGBTT), mas esse trecho acabou soando como uma provocação desnecessária ao movimento guei.
5) "Pode ser até um representante no Congresso. 'Ele poderia propor projetos relativos ao ateísmo. Seria difícil ser aprovado, mas pelo menos traria a discussão', acredita Sottomaior." Esse trecho textualmente:
5.1) coloca a ATEA como exclusivamente a serviço do ateísmo/da ateidade;
5.2) propõe a ATEA como uma plataforma de poder;
5.3) legitima o uso da política como uma forma de beneficiar grupos religiosos - como a bancada dos evangélicos, etc.
------------------------
Sou plenamente favorável a que minoriais se organizem para lutarem por seus direitos. Mas se a ATEA se propõe a representar não apenas os ateus, como também os agnósticos, as ações e o discursos precisam sermelhor mais bem calibrados. Sou agnóstico e não me sinto representado pela campanha, nem pela associação (sim, não sou membro): até pela definição que a ATEA adota, incluindo os agnósticos como uma subcategoria de ateus.
Inspirada em campanhas como o "Ônibus Ateu", da jornalista britânica Ariane Sherine (encampada pela British Humanist Association), a ATEA lançou uma proposta similar. A campanha da ATEA ganhou uma reportagem do Terra.
Daniel é meu amigo, mas quem tem um amigo como eu não deve precisar muito de adversários.
Farei aqui uma crítica. Não tenho certeza se ela é construtiva.
1) Por que eu tenho um pé atrás em relação à ATEA? Ela nominalmente pretende representar ateus *e* agnósticos, mas no próprio nome fantasia, ela remete exclusivamente à "ateidade" (permita-me o neologismo para designar um caráter não necessariamente militante de quem é ateu) ou mesmo ao ateísmo (aqui referindo-se ao caráter do ateu militante).
1.1) Mesmo não sendo intencional - e não tenho a menor dúvida de que *não* é intencional - isso faz com que os agnósticos fiquem, não apenas em um plano inferior, mas funcionem simplesmente como uma escada: dar volume e emprestar uma maior representatividade ao movimento para um esforço que beneficiará quase que exclusivamente aos ateus.
1.2) Provavelmente, Sottomaior falou sobre os agnósticos na campanha, mas até pelo nome ATEA (e pela inspiração da campanha ateia britânica), ficou como uma campanha exclusivamente ateia.
2) "Enquanto isso, os ateus já traçam outros planos. Um deles é o Dia do Orgulho Ateu, a ser comemorado em 12 de fevereiro, data do nascimento do naturalista britânico Charles Darwin (1809-1882)". Canibalizar o Darwin Day para representar o ateísmo/ateidade é um grande desserviço em relação à compreensão da teoria da evolução pelos crentes - reforçando a identificação dela com o ateísmo e, o maior problema, anti-religiosidade. Essa é uma crítica que tenho em relação a Dawkins em obras como "Deus: um delírio". (Dawkins não é um exemplo de relações públicas.) Aqui um texto interessante do jornalista Reinaldo José Lopes sobre evolução e ateísmo.
3) "[...] os dos nossos *concorrentes*, a Igreja" - não tenho certeza a respeito da intencionalidade ou não, mas isso textualmente coloca a campanha e a ATEA como *anti*-clericais ou mesmo *anti*-religiosas. E não simplesmente arreligiosa (ou é a-religiosa na nova ortografia?).
4) "Usamos muitas analogias do movimento gay porque muitos deles acham que são a última minoria, mas somos nós." - sou testemunha de que Sottomaior *não* é homofóbico, muito ao *contrário* (não, ele mesmo não é guei, mas participa frequentemente de encontro e ações de defesa do direito LGBTT), mas esse trecho acabou soando como uma provocação desnecessária ao movimento guei.
5) "Pode ser até um representante no Congresso. 'Ele poderia propor projetos relativos ao ateísmo. Seria difícil ser aprovado, mas pelo menos traria a discussão', acredita Sottomaior." Esse trecho textualmente:
5.1) coloca a ATEA como exclusivamente a serviço do ateísmo/da ateidade;
5.2) propõe a ATEA como uma plataforma de poder;
5.3) legitima o uso da política como uma forma de beneficiar grupos religiosos - como a bancada dos evangélicos, etc.
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Sou plenamente favorável a que minoriais se organizem para lutarem por seus direitos. Mas se a ATEA se propõe a representar não apenas os ateus, como também os agnósticos, as ações e o discursos precisam ser
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