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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Entenda o porquê da "ditabranda"

A Folha em editorial chamou a ditadura militar no Brasil de "ditabranda" e teve que se desculpar.

Em comemorações de seus 90 anos, a Folha achou por bem mexer em alguns esqueletos de seu armário - como o apoio a essa ditadura ("4 - O Papel na Ditadura"). É um exercício salutar de autocrítica. Embora Rodrigo Vianna considere algo insuficiente - bem, até concordo, como foi colocado em meio a uma tentativa de narrativa objetiva, eliminaram-se juízos, não há uma linha que diga algo como: "em uma ação vergonhosa nós apoiamos a ditadura".

Mas com episódios recentes como a própria "ditabranda" e a tal ficha da Dilma (pela qual o jornal não se desculpou - uma falsificação grosseira que o jornal sustenta como não sendo possível de ser demonstrada falsa...) é mesmo de se pôr as barbas de molho e saber o quanto de mea culpa é essa admissão.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Por que não te calas, Lula? - 2

Agora, juntando injúria ao insulto, Lula emenda esta a respeito dos presos políticos em Cuba:

"Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos. A greve de fome não pode ser um pretexto de direitos humanos para liberar as pessoas. Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade."

sexta-feira, 5 de março de 2010

Por que não te calas, Lula?

Até é compreensível - embora não plenamente justificável, a meu ver - a vista grossa que governantes que se pretendem democráticos fazem de violações de direitos humanos cometidos por governos aliados ou de países nos quais possuem certos interesses (econômicos, milatares, políticos...).

Por isso os EUA não pressionam tanto o governo da China a respeito das seguidas violações contra os direitos humanos de ativistas contrários à ditadura do PC chinês. No episódio da invasão ao Google, a diplomacia americana, sempre tão afeita aos interesses de sua indústria, um tanto que tentou colocar panos quentes.

Que o Brasil não condene as violações em Cuba, no Irã, ou mesmo em Sudão, ainda que vergonhoso, é analisável à luz da doutrina da solução dialogada. Agora, passa de qualquer limite razoável o que foi fartamente comentado semana passada. Lula, em visita à Cuba, tendo coincidido com a morte, em decorrência da greve de fome, do preso político Orlando Zapata comentou o seguinte: "Lamento profundamente que uma pessoa se deixe morrer por uma greve de fome".

Menos pior se tivesse preferido se calar ou mesmo tergiversar. Poderia ter sido até ambíguo: lamentando a morte sem culpar o regime castrista. Mas acabou saindo essa besteira incomensurável.

(Claro que nem o Brasil, nem os EUA são livres de críticas de violações - graves - aos direitos humanos. Guantánamo é a vergonha do tio Sam, as prisões brasileiras também vivenciam diariamente horrores cometidos contra presos comuns.)

quinta-feira, 12 de março de 2009

A ditabranda

Para cantar como "A banda" de Chico Buarque:

A ditabranda

Estava fulo da vida
O jornal Folha falou
Era a ditabranda a passar
Cantando coisas de amor
A minha gente sofrida
Reencontrou-se co'a dor
Vendo a ditadura passar
Com seu porrete e terror

O homem sério que contava dinheiro urrou
O faroleiro que contava vantagem gritou
A namorada que contava estrelas chorou
Ao ler e reler a mensagem
A moça alegre que vivia cantando sentiu
A rosa alegre que vivia aberta sumiu
E a meninada toda se indignou
Contra a ditabranda a protestar
Lembrando as coisas de horror

Estava fulo da vida
O jornal Folha falhou
Que era a ditabranda a passar
Cantando coisas de amor
A minha gente sofrida
Reencontrou-se co'a dor
Vendo a ditabranda passar
Com seu porrete e terror

O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair do terraço e falou
Quão feia bobagem aquela
Da ditadura ser de meia-tigela
O vozerio grave pela Barão de Limeira subiu
A bandeira que vivia escondida surgiu
E a internet inteira se levantou
Contra ditabranda a protestar
Lembrando as coisas de horror

E para o meu encanto
O que era galhofa acabou
Tudo tomou seu lugar
Depois que a ditabranda passou
E cada qual de seu canto
Em cada canto uma dor
Depois da ditabranda passar
Com seu porrete e terror
Depois da ditabranda passar
Lembrando as coisas de horror
Depois da ditabranda passar
"Nada disso, ó seu editor"

terça-feira, 10 de março de 2009

Pra ver a ditabranda passar...



Sim, a Folha já se desculpou pela "ditabranda", mas não dá para deixar tão barato. Oquei, é mais um vídeo tosco e não levarei nem o Leão de Barro em Cannes.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Vitoria de mier...

Havia uma piada (que tragicomicamente insinuava uma verdade) no plebiscito de 1988 realizado perto do fim da ditadura de Pinochet no Chile. O povo deveria escolher se o governo dele continuaria ou não. Era o voto do "sí" e do "no". "Sí, queremos que fique", "No, no queremos que saia". O "não" ganhou e acabou que a didatura terminou em 1990, com a realização de eleições presidenciais no país. Era o fim da ditadura mais sangrenta na história recente da América Latina.

Hugo Chávez não tem tanto sangue nas mãos, mas tem um gosto parecido pelo poder. Em 2007 criou uma nova emenda na constituição venezuelana, que lhe dava o direito de reeleições ilimitadas, e colocou-a sob referendo popular. Resultado: 50,7% dos eleitores rejeitaram as emendas (que Chávez chamou de "vitoria de mierda" da oposição). Em 2009, voltou à carga, com novo referendo sobre reeleições ilimitadas - a desculpa foi de que no primeiro referendo, outras emendas foram julgadas em conjunto -, agora, parece que o "sim" ganhou.

Assim fica fácil, repete o pleito até obter o resultado desejado, não precisa nem manipular a votação. E segundo alguns analistas (que não sei quem são): "a vitória legitima ainda mais o governo de Chávez, contrariando as acusações do Departamento de Estado dos EUA de que seria um ditador". Realmente, em 2007 foi uma vitória de m... da oposição.