Imagine se o Brasil deixaria vir aqui um chefe de Estado estrangeiro discursar para a população brasileira metendo o bedelho em assuntos internos?
Imagine se o Brasil deixaria que um tal chefe de Estado estrangeiro agitasse a população a se manifestar contra seus governantes?
Não precisa imaginar. É o que o Brasil fez ao dar guarida à Jornada Mundial da Juventude, com o monarca do Estado do Vaticano discursando para uma plateia de centenas de milhares de pessoas - a maioria brasileiros - palavras de ordem como "não sejam covardes, joguem no ataque e saiam às ruas" e crítica a políticas locais como a pacificação de favelas.
E não apenas deu guarida como bancou com o dinheiro público. E não pouca coisa. R$ 350 milhões (ou mais, pela mudança de última hora do local de vigília).
Não se entra, aqui, no mérito das críticas. Chama-se a atenção para a inconsequência de se mandar às favas a soberania nacional. E há até prevaricação já que se trata de um ato ilegal para estrangeiro em solo brasileiro organizar ou participar de reuniões (de qualquer natureza) com o objetivo de obter mediante constrangimento (de qualquer natureza) adesão a ideias, programas ou normas de facções políticas estrangeiras, não pode o estrangeiro, em território brasileiro, participar de atividade de natureza política nem se imiscuir - direta ou indiretamente - nos negócios públicos do país (Lei 6.815/1980 - art. 107).
Já seria grave a violação se se tratasse de um cidadão estrangeiro comum, pior quando se trata de um chefe de Estado estrangeiro.
E todo mundo acha bonito.
domingo, 28 de julho de 2013
terça-feira, 9 de julho de 2013
Política para vândalos e manifestantes coxinhas: Lição 8 #ProtestaBR
Foro privilegiado é um nome enganador. Tão enganador que há quem ache que é mesmo um privilégio onde os poderosos têm mais chances de se safar. E o Congresso, um tanto espertamente, já botou em sua agenda o fim do dispositivo.
Na verdade o foro privilegiado é apenas o julgamento direto por instâncias superiores - pra onde naturalmente iria o julgamento sem foro privilegiado com as interposições de recursos. (CF art. 102 inc. I, alíneas 'b' e 'c' e Lei Federal 10.628/2002)
O efeito final é uma *aceleração* de todo o processo até o trânsito em julgado (com sentença final sem mais recursos por nenhuma das partes).
Sem o foro privilegiado, os políticos de escalão mais alto têm mais chances de protelar se forem considerados culpados. Se tiverem cometido um crime, dada a morosidade da Justiça, as chances de haver prescrição de crime aumenta.
Basta pensar no julgamento do Mensalão. Alguns crimes já haviam prescritos, outros estavam em vias de. Isso sendo um julgamento direto no STF. As chicanas seriam maiores em instâncias inferiores. E é justamente nas instâncias inferiores onde encontramos mais casos de corrupção de magistrados. Onde os poderosos teriam mais chances de escaparem, em tribunal de primeira instância ou em tribunais superiores?
Uma opinião insuspeita contra o fim de foro privilegiado para autoridades no cargo é de Claudio Weber Abramo, diretor da Transparência Brasil.
Para ex-autoridades pode fazer sentido não haver foro privilegiado - para não congestionar ainda mais as instâncias superiores.
Na verdade o foro privilegiado é apenas o julgamento direto por instâncias superiores - pra onde naturalmente iria o julgamento sem foro privilegiado com as interposições de recursos. (CF art. 102 inc. I, alíneas 'b' e 'c' e Lei Federal 10.628/2002)
O efeito final é uma *aceleração* de todo o processo até o trânsito em julgado (com sentença final sem mais recursos por nenhuma das partes).
Sem o foro privilegiado, os políticos de escalão mais alto têm mais chances de protelar se forem considerados culpados. Se tiverem cometido um crime, dada a morosidade da Justiça, as chances de haver prescrição de crime aumenta.
Basta pensar no julgamento do Mensalão. Alguns crimes já haviam prescritos, outros estavam em vias de. Isso sendo um julgamento direto no STF. As chicanas seriam maiores em instâncias inferiores. E é justamente nas instâncias inferiores onde encontramos mais casos de corrupção de magistrados. Onde os poderosos teriam mais chances de escaparem, em tribunal de primeira instância ou em tribunais superiores?
Uma opinião insuspeita contra o fim de foro privilegiado para autoridades no cargo é de Claudio Weber Abramo, diretor da Transparência Brasil.
Para ex-autoridades pode fazer sentido não haver foro privilegiado - para não congestionar ainda mais as instâncias superiores.
Política para vândalos e manifestantes coxinhas: Lição 7 #ProtestaBR
São quatro formas constitucionalmente consensuais em que se pode dar essa reforma política (independentemente de se necessária ou não):
a) Deixar a discussão seguir exclusivamente via congressistas. Dois problemas: 1. essa discussão segue há duas décadas e não tem perspectiva de haver solução; 2. é grande a possibilidade de se resultar em algo de desagrado da população (não é possível seguir apenas a “voz das ruas” porque os manifestantes não representam a população como um todo, o corte socioeconômico é muito enviesado – especialmente entre os que se manifestam por reforma política);
b) Lei de iniciativa popular. Dois problemas: 1. não necessariamente representa a vontade popular (os signatários podem ser expressivos – 1% do eleitorado -, mas não necessariamente, e raramente o são, representativos) 2. ela é limitada à parte da reforma que não dependa de emenda constitucional;
c) Referendo. Dois problemas: 1. não há direcionamento prévio dos itens da reforma, a população poderá apenas aceitar o rejeitar o pacote; 2. custo não é exatamente pequeno - na casa dos R$ 600 milhões (sem contabilizar gastos nas campanhas propriamente ditas);
d) Plebiscito. Dois problemas: a elaboração do formato pode ser tecnicamente complicado; 2. custo (também na casa dos R$ 600 milhões).
Outros problemas levantados contra o plebiscito, na minha visão, são não problemas. Sim, é bem possível que não seja viável a aplicação das mudanças já para as eleições do ano que vem. Mas, e daí? Vale a partir de 2015. Mesmo que valha a interpretação marota de que o resultado do plebiscito não seja juridicamente vinculante, quero ver parlamentar ter peito de contrariar. Se o fizerem, cai o mundo… deles. No plebiscito sobre a forma de governo, a ideia dos congressistas era que o parlamentarismo sairia vitorioso – até a Constituição Cidadã é amplamente parlamentarista em sua forma: calhou de vencer o presidencialismo e a soberania popular foi devidamente respeitada. Dizer que o plebiscito só pode versar sobre leis é bobagem, o plebiscito não é, em si, um instrumento gerador de dispositivos legais – nisso Temer tem razão de que a via é o Congresso – ele é orientador, inclusive de PECs (naturalmente os ritos das emendas devem ser obedecidos, pelo menos um terço do Congresso ou a Presidência devem encaminhar a proposta). A população não está preparada para opinar sobre temas como financiamento público ou voto distrital? Sim, não estamos. Do mesmo modo como não estamos preparados para escolhermos entre plataformas políticas para orientar o governo nacional, estadual e municipal - mas somos chamados a fazermos isso a cada dois anos. Por isso há um período de campanha de esclarecimento antes dos plebiscitos e referendos e eleições.
Se se incorporar o referendo ou o plebiscito em uma eleição, os custos são divididos - mas isso pode diminuir a eficiência das campanhas de esclarecimento.
a) Deixar a discussão seguir exclusivamente via congressistas. Dois problemas: 1. essa discussão segue há duas décadas e não tem perspectiva de haver solução; 2. é grande a possibilidade de se resultar em algo de desagrado da população (não é possível seguir apenas a “voz das ruas” porque os manifestantes não representam a população como um todo, o corte socioeconômico é muito enviesado – especialmente entre os que se manifestam por reforma política);
b) Lei de iniciativa popular. Dois problemas: 1. não necessariamente representa a vontade popular (os signatários podem ser expressivos – 1% do eleitorado -, mas não necessariamente, e raramente o são, representativos) 2. ela é limitada à parte da reforma que não dependa de emenda constitucional;
c) Referendo. Dois problemas: 1. não há direcionamento prévio dos itens da reforma, a população poderá apenas aceitar o rejeitar o pacote; 2. custo não é exatamente pequeno - na casa dos R$ 600 milhões (sem contabilizar gastos nas campanhas propriamente ditas);
d) Plebiscito. Dois problemas: a elaboração do formato pode ser tecnicamente complicado; 2. custo (também na casa dos R$ 600 milhões).
Outros problemas levantados contra o plebiscito, na minha visão, são não problemas. Sim, é bem possível que não seja viável a aplicação das mudanças já para as eleições do ano que vem. Mas, e daí? Vale a partir de 2015. Mesmo que valha a interpretação marota de que o resultado do plebiscito não seja juridicamente vinculante, quero ver parlamentar ter peito de contrariar. Se o fizerem, cai o mundo… deles. No plebiscito sobre a forma de governo, a ideia dos congressistas era que o parlamentarismo sairia vitorioso – até a Constituição Cidadã é amplamente parlamentarista em sua forma: calhou de vencer o presidencialismo e a soberania popular foi devidamente respeitada. Dizer que o plebiscito só pode versar sobre leis é bobagem, o plebiscito não é, em si, um instrumento gerador de dispositivos legais – nisso Temer tem razão de que a via é o Congresso – ele é orientador, inclusive de PECs (naturalmente os ritos das emendas devem ser obedecidos, pelo menos um terço do Congresso ou a Presidência devem encaminhar a proposta). A população não está preparada para opinar sobre temas como financiamento público ou voto distrital? Sim, não estamos. Do mesmo modo como não estamos preparados para escolhermos entre plataformas políticas para orientar o governo nacional, estadual e municipal - mas somos chamados a fazermos isso a cada dois anos. Por isso há um período de campanha de esclarecimento antes dos plebiscitos e referendos e eleições.
Se se incorporar o referendo ou o plebiscito em uma eleição, os custos são divididos - mas isso pode diminuir a eficiência das campanhas de esclarecimento.
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Política para vândalos e manifestantes coxinhas: Lição 6 #ProtestaBR
Cartaz: Corrupção: Crime Hediondo
Não serei eu a defender corruptos - corrompidos e corruptores (ei, cadê cartazes sobre corruptores?). A verdade é que ninguém sabe quanto realmente se perde em função da corrupção. Os valores variam de acordo com a fonte.
A Fiesp calcula como algo em torno de 50,8 bi a 84,5 bi BRL/ano (agora um tanto mais porque foram valores calculados com base no PIB de 2010). [1] A Unafisco calcula entre 100 bi a 200 bi BRL/ano (para 2006). [2] Dinheiro pra dedéu.
Políticos merecem chibatas por isso, né? Hmmm. Mas e os cidadãos? 23% acham que dar dinheiro para o guarda não aplicar multa não é corrupção. Ok, 66% acham que é. [3, 4]
Mas, enfim, corrupção é o problema número 1 do país, né? 77% dos brasileiros consideram a corrupção muito grave [5]. Claro, com esse valor todo perdido pelo país, só pode. E... Alto lá!
"Brasil deixa de arrecadar R$ 415 bilhões ao ano por sonegação"
http:// economia.estadao.com.br/ noticias/ economia-geral,brasil-deixa-de- arrecadar-r-415-bilhoes-ao-ano -por-sonegacao,155559,0.htm
-----------
Se corrupção deve ser crime hediondo, o que dizer da sonegação? Sabe quando você deixa de pedir ou emitir nota fiscal? Aquela nota fiscal em que você faz questão de ter os valores discriminados dos impostos [6]? Sabe aqueles malabarismos contábeis que se pede que os contadores façam para incluir sua sogra como dependente? Só 49% dos brasileiros discordam da frase: "Algumas coisas podem ser um pouco erradas mas não corruptas, como por exemplo sonegar algum imposto, quando ele é caro demais." [5]
Será que é por isso que não temos nenhum cartaz: "Abaixo a sonegação! Paguem seus impostos corretamente!"?
----------
[1] http://migre.me/f9Tu5
[2] http://migre.me/f9WE5
[3] http://migre.me/f9TNZ
[4] http://migre.me/f9Vj4
[5] http://migre.me/f9UVA
[6] http://migre.me/f9U8a
Não serei eu a defender corruptos - corrompidos e corruptores (ei, cadê cartazes sobre corruptores?). A verdade é que ninguém sabe quanto realmente se perde em função da corrupção. Os valores variam de acordo com a fonte.
A Fiesp calcula como algo em torno de 50,8 bi a 84,5 bi BRL/ano (agora um tanto mais porque foram valores calculados com base no PIB de 2010). [1] A Unafisco calcula entre 100 bi a 200 bi BRL/ano (para 2006). [2] Dinheiro pra dedéu.
Políticos merecem chibatas por isso, né? Hmmm. Mas e os cidadãos? 23% acham que dar dinheiro para o guarda não aplicar multa não é corrupção. Ok, 66% acham que é. [3, 4]
Mas, enfim, corrupção é o problema número 1 do país, né? 77% dos brasileiros consideram a corrupção muito grave [5]. Claro, com esse valor todo perdido pelo país, só pode. E... Alto lá!
"Brasil deixa de arrecadar R$ 415 bilhões ao ano por sonegação"
http://
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Se corrupção deve ser crime hediondo, o que dizer da sonegação? Sabe quando você deixa de pedir ou emitir nota fiscal? Aquela nota fiscal em que você faz questão de ter os valores discriminados dos impostos [6]? Sabe aqueles malabarismos contábeis que se pede que os contadores façam para incluir sua sogra como dependente? Só 49% dos brasileiros discordam da frase: "Algumas coisas podem ser um pouco erradas mas não corruptas, como por exemplo sonegar algum imposto, quando ele é caro demais." [5]
Será que é por isso que não temos nenhum cartaz: "Abaixo a sonegação! Paguem seus impostos corretamente!"?
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[1] http://migre.me/f9Tu5
[2] http://migre.me/f9WE5
[3] http://migre.me/f9TNZ
[4] http://migre.me/f9Vj4
[5] http://migre.me/f9UVA
[6] http://migre.me/f9U8a
Política para vândalos e manifestantes coxinhas: Lição 5 #ProtestaBR
| Gigante Recém-desperto e já Engajado na Milenar Luta pela Saúde no Brasil |
Antes de adentramos na análise desta importante proposta de financiamento do combalido Sistema Único de Saúde, que, todos sabemos, é um fiasco completo e faz mais mal do que bem à saúde dos brasileiros - sobretudo os mais pobres*, gostaria de trazer alguns dados sobre a avaliação do SUS pelos próprios usuários.
Just a food for thought.
Segundo o Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) 2011 do Ipea [1]:
Entre os que usaram serviços do SUS nos últimos 12 meses
30,4% acham que é bom ou muito bom
27,6% acham que é ruim ou muito ruim
Entre os que *não* usaram o SUS:
19,2% acham que é bom ou muito bom
34,3% acham que é ruim ou muito ruim
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Resultado similar ao obtido pela Pesquisa de Satisfação dos Usuários do SUS, do Min. Saúde 2011 [2]:
Entre os que usaram o SUS nos últimos 12 meses:
15,02% acham que é muito ruim
13,62% acham que é ruim
34,04% acham que é regular
28,79% acham que é bom
7,37% acham que é muito bom
Entre os que *não* usaram o SUS:
26,64% acham que é muito ruim
18,38% acham que é ruim
29,73% acham que é regular
21,12% acham que é bom
4,13% acham que é muito bom
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Vamos considerar o seguinte. Em São Paulo, são 14 milhões de embarques por dia, para uma população de 11,32 milhões de pessoas. Projetamos isso para uma população de 196,7 milhões de brasileiros. Seriam 243,3 milhões de embarques por dia. 58,4 bilhões de embarques por ano. Uma injeção de 11,7 bilhões de BRL/ano no sistema SUS. Não seria nada mau.
Problema, lembram que havia a CPMF/IPMF? Um imposto provisório sobre movimentação financeira criticado por ser permanente durante 10 anos? Uma alíquota de 0,38% que significava - para quem movimentava 1 mil reais no banco - 3,8 BRL/mês. Ou, 19 BRL/mês pra quem movimentava 5 mil reais.
Os 20 centavos no SUS correspondem a uma média de 5,0 BRL/mês para cada brasileiro. O que inclui bebês, pobres e miseráveis na conta. Considerando-se apenas a população adulta com renda superior a 1,5 salário mínimo, seriam 15,6 BRL/mês.
Eu apoio integralmente um imposto médio de 40 centavos diários para cada brasileiro para ser injetado no SUS. Naturalmente, os mais pobres seriam isentos, com equivalente aumento do valor pago pelos que têm mais condições. Mas...
Eu não citei a CPMF à toa. Por anos foi o cavalo de batalha da classemédiasofre. Choravam as pitangas de como sangravam suas economias - sério, 19 reais por mês (pra quem paga R$ 100 só pra uma ida ao cinema: entre ingressos, lanche e estacionamento; R$ 800 por mês em salão de beleza, néam, Época? [3]) é um golpe tão terrível em nossas burras, né, não? A CPMF era destinada ao custeio exatamente da saúde pública (e da previdência social e do combate à pobreza).
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[1] http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1302201115.htm - (*Por favor, *leia* esse texto do Gaspari.)
[2] http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/relatorio_da_pesquisa_de_satisfacao.pdf
[3] http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2013/06/o-arrocho-da-classe-media.html
sábado, 22 de junho de 2013
Política para vândalos e manifestantes coxinhas: Lição 4 #ProtestaBR
"Nem de esquerda, nem de direita. Sou pra frente." É uma frase espirituosa e coadunada com a insatisfação geral com as realizações de nossa classe política. Mas ela, na verdade, demonstra o grau de analfabetismo político.
Não se preocupe, você que passou dormindo até hoje, não teria mesmo muito como se alfabetizar.
No campo político, se você não está nem à esquerda, nem à direita, está necessariamente no centro. Há uma gradação mais ou menos suave da extrema esquerda à extrema direita, mas não é possível estar fora dessa linha.
Se você valoriza a ordem social, leis rigorosas contra toda forma de crimes, o individualismo ('selfmade man'), a estrita meritocracia (tende a ver programas sociais como assistencialismo e politicagem); entende a família como aquela formada por pai, mãe e filhos e é o núcleo social que deve ser valorizado e protegido; defende o liberalismo econômico (o mercado é autorregulado e funcional mal sob intervenção do estado); acha que no Brasil se paga impostos demais... você provavelmente é de direita. E não há mal nenhum nisso.
Se você valoriza a justiça social; acha que as leis e o sistema prisional devem procurar recuperar o indivíduo mais do que apenas puni-lo; defende o cooperativismo e o associativismo (a construção coletiva de valores sociais), que os mais fracos economicamente, os excluídos sociais devem ser protegidos e incluídos; entende a família como simplesmente um grupo de pessoas com afinidades emotivas entre si (pode ser formado por pai ou mãe solteiros, por dois pais ou duas mães, por várias combinações alternativas e até mesmo por pessoas solteiras com seus amigos) e que o mercado precisa ser mais regulado pelos governos para que os ganhos econômicos sejam mais bem distribuídos, inclusive por meio de impostos e tributos progressivos... você provavelmente é de esquerda. E não há mal nenhum nisso.
Se você valoriza algumas coisas da direita e outras da esquerda e, principalmente, de um modo menos intenso, provavelmente é centrista. E, também, não há mal nenhum nisso.
Há uma certa tendência de conservadores (outro modo basicamente de se denominar os que são da direita) terem uma visão mais preto no branco. Em ter uma maior rejeição a incertezas.
No caso dos liberais ou progressistas (outro modo de se denominar os da esquerda - não confundir com liberais econômicos como neoliberais - o liberalismo da esquerda é de natureza social; também não confundir com o fato de haver no Brasil um partido denominado Progressista, mas que é de direita - o que tem o Maluf como uma das principais figuras), a visão tende a ser um pouco mais matizada (o que não quer dizer que não haja aqueles mais dicotômicos entre os da esquerda). Os liberais tendem a conviver um pouco melhor com incertezas.
Não são, bom ter em mente, pacotes fechados. Para certas questões, sua visão pode ser mais à direita e para outros, mais à esquerda. A denominação depende mais de sua visão geral. De qual sua tendência em analisar as questões. Prefere a ordem, com estrita cadeia de comando? Prefere uma solução mais dialogada, construída em relações mais horizontalizadas sem tanta hierarquia?
A confusão da história de que "não existe mais direita e esquerda", em parte, passa pela crise da política representativa, com partidos historicamente de um lado, deixando de lado certos valores. Mas isso não quer dizer que a direita deixou de ser a direita e a esquerda deixou de ser a esquerda. Quer dizer um partido foi mais para o centro ou mais para a direita (ou mais para a esquerda).
"Se eu sou muito de direita, eu sou da extrema direita?" Não exatamente. Ser "muito de direita" pode significar apenas que está bem posicionado no espectro da direita, sem tendência a se mover para a esquerda (análise similar vale para quem está na esquerda).
O problema (gravíssimo) com a *extrema* direita é que ela agrega o totalitarismo (o poder central suprimindo as liberdades individuais) e elementos de ódio racial, étnico, contra minorias e de xenofobia (calcado em um nacionalismo extremado). Ódio aos gays, aos índios, aos imigrantes (especialmente os de países pobres).
Muitos de *extrema* esquerda também defendem um totalitarismo (com um Estado defendendo valores de esquerda - muitos e não todos, porque há os que defendem o fim do Estado), todos defendem uma revolução armada (não é o mesmo que luta armada) com a prisão e até execução dos membros da classe atualmente no poder (especialmente os de matiz de direita). Aqui também há problemas gravíssimos.
Enfim, seja onde você se posicione no espectro, não faz sentido dizer que não se posiciona em nenhum ponto. O importante é conhecer as diferentes ideologias e saber quais os valores que você defende. É um útil exercício de autoconhecimento. Ajuda a colocar suas ideias no lugar e, assim, a trabalhar de modo mais produtivo para as mudanças que deseja trazer à sociedade.
Não se preocupe, você que passou dormindo até hoje, não teria mesmo muito como se alfabetizar.
No campo político, se você não está nem à esquerda, nem à direita, está necessariamente no centro. Há uma gradação mais ou menos suave da extrema esquerda à extrema direita, mas não é possível estar fora dessa linha.
Se você valoriza a ordem social, leis rigorosas contra toda forma de crimes, o individualismo ('selfmade man'), a estrita meritocracia (tende a ver programas sociais como assistencialismo e politicagem); entende a família como aquela formada por pai, mãe e filhos e é o núcleo social que deve ser valorizado e protegido; defende o liberalismo econômico (o mercado é autorregulado e funciona
Se você valoriza a justiça social; acha que as leis e o sistema prisional devem procurar recuperar o indivíduo mais do que apenas puni-lo; defende o cooperativismo e o associativismo (a construção coletiva de valores sociais), que os mais fracos economicamente, os excluídos sociais devem ser protegidos e incluídos; entende a família como simplesmente um grupo de pessoas com afinidades emotivas entre si (pode ser formado por pai ou mãe solteiros, por dois pais ou duas mães, por várias combinações alternativas e até mesmo por pessoas solteiras com seus amigos) e que o mercado precisa ser mais regulado pelos governos para que os ganhos econômicos sejam mais bem distribuídos, inclusive por meio de impostos e tributos progressivos... você provavelmente é de esquerda. E não há mal nenhum nisso.
Se você valoriza algumas coisas da direita e outras da esquerda e, principalmente, de um modo menos intenso, provavelmente é centrista. E, também, não há mal nenhum nisso.
Há uma certa tendência de conservadores (outro modo basicamente de se denominar os que são da direita) terem uma visão mais preto no branco. Em ter uma maior rejeição a incertezas.
No caso dos liberais ou progressistas (outro modo de se denominar os da esquerda - não confundir com liberais econômicos como neoliberais - o liberalismo da esquerda é de natureza social; também não confundir com o fato de haver no Brasil um partido denominado Progressista, mas que é de direita - o que tem o Maluf como uma das principais figuras), a visão tende a ser um pouco mais matizada (o que não quer dizer que não haja aqueles mais dicotômicos entre os da esquerda). Os liberais tendem a conviver um pouco melhor com incertezas.
Não são, bom ter em mente, pacotes fechados. Para certas questões, sua visão pode ser mais à direita e para outros, mais à esquerda. A denominação depende mais de sua visão geral. De qual sua tendência em analisar as questões. Prefere a ordem, com estrita cadeia de comando? Prefere uma solução mais dialogada, construída em relações mais horizontalizadas sem tanta hierarquia?
A confusão da história de que "não existe mais direita e esquerda", em parte, passa pela crise da política representativa, com partidos historicamente de um lado, deixando de lado certos valores. Mas isso não quer dizer que a direita deixou de ser a direita e a esquerda deixou de ser a esquerda. Quer dizer um partido foi mais para o centro ou mais para a direita (ou mais para a esquerda).
"Se eu sou muito de direita, eu sou da extrema direita?" Não exatamente. Ser "muito de direita" pode significar apenas que está bem posicionado no espectro da direita, sem tendência a se mover para a esquerda (análise similar vale para quem está na esquerda).
O problema (gravíssimo) com a *extrema* direita é que ela agrega o totalitarismo (o poder central suprimindo as liberdades individuais) e elementos de ódio racial, étnico, contra minorias e de xenofobia (calcado em um nacionalismo extremado). Ódio aos gays, aos índios, aos imigrantes (especialmente os de países pobres).
Muitos de *extrema* esquerda também defendem um totalitarismo (com um Estado defendendo valores de esquerda - muitos e não todos, porque há os que defendem o fim do Estado), todos defendem uma revolução armada (não é o mesmo que luta armada) com a prisão e até execução dos membros da classe atualmente no poder (especialmente os de matiz de direita). Aqui também há problemas gravíssimos.
Enfim, seja onde você se posicione no espectro, não faz sentido dizer que não se posiciona em nenhum ponto. O importante é conhecer as diferentes ideologias e saber quais os valores que você defende. É um útil exercício de autoconhecimento. Ajuda a colocar suas ideias no lugar e, assim, a trabalhar de modo mais produtivo para as mudanças que deseja trazer à sociedade.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Política para vândalos e manifestantes coxinhas: Lição 3 #ProtestaBR
"Menos Copa. Mais escola!", "Enquanto a bola rola, no Brasil falta escola!" dizem muitos cartazes nos protestos pós-Noite de Santo Antônio. Mais escolas é o que pedem também vários manifestantes digitais nas mídias sociais.
Muito legal. Parabéns pela preocupação com a educação. Mas... Mas?
Sabia que *noventa e oito* porcento das crianças entre 7 e 14 anos estão matriculadas ns escolas [1]? Desde a implementação do programa "Toda Criança na Escola", ainda nos governos FHC, tem sido mantido um nível não menor do que 95%.
Entre os jovens de 15 a 17 anos, a taxa de matrícula é de 84%. Nos últimos 7 anos, essa proporção tem oscilado em torno dessa média [2]. É preciso aumentar, mas o fator limitante não é falta de escolas. Para essa faixa etária, a questão da evasão é o desinteresse [3].
Crianças de 4 a 6 anos estão matriculadas nas escolas a uma taxa de 80% [1, 4]. Nessa faixa, sim, há falta de escolas. Especialmente porque a educação infantil é uma atribuição fundamentalmente dos municípios - e muitos mal conseguem se manter. Mas programas federais têm ajudado a expandir o número de vagas. O ritmo atual tem sido de redução de 2% por ano, mas o governo federal tem planos de acelerar e ter mais de 98% matriculadas até 2016 [4].
A faixa em pior condição são crianças até 3 anos. Somente 20% encontram vagas [1] e o governo federal espera expandir para 50% até 2016 [4]. Então o problema é menos de escolas do que de creches - ainda mais necessárias com a implementação da Lei das Domésticas (duplamente, para as domésticas e para as patroas).
Sim, o nível atual da educação é bem longe do satisfatório. Bem ruim, na verdade. Porém, ele tem melhorado [5, 6]. Há uma certa estagnação no ensino médio nos últimos 4 anos - em boa medida com o problema da evasão.
Proposta do governo federal de destinar 100% dos royalties do pré-sal à educação está em tramitação. A emenda de meta de investimento de 10% do PIB em educação foi adicionada na Câmara. [7]
Então, obrigado por se juntar à luta por uma educação básica melhor e espero que esse dados o ajudem a direcionar melhor as cobranças na área.
Referências:
[1] http://migre.me/f7N7n
[2] http://migre.me/f7N8R
[3] http://migre.me/f7Ngn
[4] http://migre.me/f7NFW
[5] http://migre.me/f7ObW
[6] http://migre.me/f7OfT
[7] http://migre.me/f7OnO
Dicão: Saquear escolas *não* ajuda a melhorar o ensino no país.
Muito legal. Parabéns pela preocupação com a educação. Mas... Mas?
Sabia que *noventa e oito* porcento das crianças entre 7 e 14 anos estão matriculadas ns escolas [1]? Desde a implementação do programa "Toda Criança na Escola", ainda nos governos FHC, tem sido mantido um nível não menor do que 95%.
Entre os jovens de 15 a 17 anos, a taxa de matrícula é de 84%. Nos últimos 7 anos, essa proporção tem oscilado em torno dessa média [2]. É preciso aumentar, mas o fator limitante não é falta de escolas. Para essa faixa etária, a questão da evasão é o desinteresse [3].
Crianças de 4 a 6 anos estão matriculadas nas escolas a uma taxa de 80% [1, 4]. Nessa faixa, sim, há falta de escolas. Especialmente porque a educação infantil é uma atribuição fundamentalmente dos municípios - e muitos mal conseguem se manter. Mas programas federais têm ajudado a expandir o número de vagas. O ritmo atual tem sido de redução de 2% por ano, mas o governo federal tem planos de acelerar e ter mais de 98% matriculadas até 2016 [4].
A faixa em pior condição são crianças até 3 anos. Somente 20% encontram vagas [1] e o governo federal espera expandir para 50% até 2016 [4]. Então o problema é menos de escolas do que de creches - ainda mais necessárias com a implementação da Lei das Domésticas (duplamente, para as domésticas e para as patroas).
Sim, o nível atual da educação é bem longe do satisfatório. Bem ruim, na verdade. Porém, ele tem melhorado [5, 6]. Há uma certa estagnação no ensino médio nos últimos 4 anos - em boa medida com o problema da evasão.
Proposta do governo federal de destinar 100% dos royalties do pré-sal à educação está em tramitação. A emenda de meta de investimento de 10% do PIB em educação foi adicionada na Câmara. [7]
Então, obrigado por se juntar à luta por uma educação básica melhor e espero que esse dados o ajudem a direcionar melhor as cobranças na área.
Referências:
[1] http://migre.me/f7N7n
[2] http://migre.me/f7N8R
[3] http://migre.me/f7Ngn
[4] http://migre.me/f7NFW
[5] http://migre.me/f7ObW
[6] http://migre.me/f7OfT
[7] http://migre.me/f7OnO
Dicão: Saquear escolas *não* ajuda a melhorar o ensino no país.
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