Disse o jornalista Merval Pereira para o Jornal das 10 da GloboNews:
"A nova divisão não servirá para resolver o problema de nenhum ente federativo, pois a repartição geral gerará muito pouco para cada um dos envolvidos, mas os estados produtores sofrerão grandes perdas." (grifo meu)
Em 2011, segundo o Anuário Estatístico 2012 da ANP, foram rateados 12,99 bilhões de reais de royalties de petróleo e gás entre União, Estados e Municípios - produtores e não-produtores. (Desconsideremos os royalties dos novos blocos - uma estimativa de produção inicial do pré-sal é de 1 milhão de barris diários - o que projetaria um extra de 6 bilhões de reais em royalties.)
Com a nova lei - e derrubada do veto presidencial (e a depender da decisão do STF após pedido de análise por parte dos estados e municípios produtores) - a divisão do bolo gerado pela exploração dos blocos novos e com contratos já em vigor será de 27% a ser distribuído entre municípios não-produtores.
27% de 12,99 bi são: 3,5 bilhões. São 5.561 municípios no Brasil. Não sei exatamente quantos são os municípios produtores no Brasil. Mas devem ser poucos, então o total do rateio será de cerca de 630 mil reais por ano por município.
De onde o Merval Pereira tirou que isso é muito pouco? Pode ser pouco para municípios de grande orçamento.Mas para 2.423 municípios seria um incremento de 5% nas finanças de 2009 (segundo os dados disponíveis no IBGE), dos quais, 366 teriam um aumento de mais de 10% no orçamento E os números podem ser maiores com os royalties dos novos campos.
Para a cidade do Rio de Janeiro, os 100 milhões de reais em royalties que recebe atualmente representam 0,86% do orçamento de 2009. Os 3,1 bilhões que o Estado do Rio de Janeiro recebe em royalties são 12,5% do orçamento de 2009.
Merval Pereira deve estar ganhando muito bem como imortal da ABL pra achar que 600 mil reais por ano não sejam nada.
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sexta-feira, 8 de março de 2013
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Greenpeace e o derramamento de óleo no Golfo do México
Não entendo, tem circulado emails e mensagens falando que o Greenpeace esteve presente em atos contra a usina de Belo Monte (o que é verdade), mas que se omite em relação ao vazamento de petróleo no Golfo do México com o afundamento da plataforma da BP.
De onde tiraram esse último absurdo? Ok, que haja pessoas desocupadas a criar todo tipo de teorias conspiratórias é compreensível, mas como é que algo tão flagrantemente mentiroso se propaga e é acolhido assim? Issa lorota foi publicada até no blogue do Nassif (felizmente, desmentida depois).
Critiquem o quanto necessário o Greenpeace - que se considere como radicalismo improdutivo certas ações é possível (p.e. que se discorde da oposição do grupo ao projeto de Belo Monte) -, mas não se pode inventar coisas. Eles têm um álbum só sobre o vazamento no Flickr. Estão recrutando voluntários para atuar nas praias atingidas. Estão lá desde a primeira hora - e muitas das fotos que circularam por meio das agências internacionais foram tiradas pelo Greenpeace (o nome da instituição aparece nos créditos), p.e., aqui.
Esse sentimento xenófobo, ultranacionalista é algo que me assusta. Preocupações com a ingerência estrangeira em assuntos internos é ok, mas quando se passa a destilar mentiras, o limite do bom senso já passou faz tempo.
De onde tiraram esse último absurdo? Ok, que haja pessoas desocupadas a criar todo tipo de teorias conspiratórias é compreensível, mas como é que algo tão flagrantemente mentiroso se propaga e é acolhido assim? Issa lorota foi publicada até no blogue do Nassif (felizmente, desmentida depois).
Critiquem o quanto necessário o Greenpeace - que se considere como radicalismo improdutivo certas ações é possível (p.e. que se discorde da oposição do grupo ao projeto de Belo Monte) -, mas não se pode inventar coisas. Eles têm um álbum só sobre o vazamento no Flickr. Estão recrutando voluntários para atuar nas praias atingidas. Estão lá desde a primeira hora - e muitas das fotos que circularam por meio das agências internacionais foram tiradas pelo Greenpeace (o nome da instituição aparece nos créditos), p.e., aqui.
Esse sentimento xenófobo, ultranacionalista é algo que me assusta. Preocupações com a ingerência estrangeira em assuntos internos é ok, mas quando se passa a destilar mentiras, o limite do bom senso já passou faz tempo.
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