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terça-feira, 17 de maio de 2016

Mais fácil ganhar na loteria do que ser acusado falsamente de estupro? Não.

Acho que nunca é demais lembrar a importância dos movimentos feministas no avanço da defesa dos direitos da mulher e respeito a eles (e não apenas de mulheres, já que acaba havendo intersecção com outras minoriais - como grupos LGBTTTs). A crítica a seguir *não* tem o objetivo de desmerecer esse trabalho fundamental. Ela é pontual e pretende ser construtiva.

Baseando-se em um texto do Buzzfeed, o perfil no twitter da Feminista Cansada alegou que há cinco (5) vezes mais chances de um homem (americano) ganhar na loteria do que ser falsamente acusado de estupro.
O número que importa, no entanto, é: dado que X é acusado de estupro, quais as chances de que a acusação seja verdadeira? (Ou, correspondentemente, de que seja falsa.)

Não sabemos. Há chutes e estimativas que vão de 2% a 40% (este último baseado em um artigo publicado, mas que já tem décadas e se refere a apenas uma localidade nos EUA).

Claro que, mesmo que fosse de 50%, não quer dizer que, diante de uma acusação, nada precisaria ser feito e/ou, pior, que não se deveria levar a acusação a sério e apenas rir da que acusa. Tampouco deve-se, mesmo que 1%, imediatamente prender o acusado sem necessidade de qualquer investigação e sem o devido processo legal.

A vítima deve sempre ser respeitada e acolhida. E receber apoio psicológico necessário. Ser levada a sério.

Ao mesmo tempo, é preciso fazer a devida investigação: verificar quais os indícios e proceder de acordo. Se houver indícios suficientes, indiciar o acusado para que responda ao processo. E, se considerado culpado, receber a sentença e cumprir a pena. Nunca submeter o acusado a um pré-julgamento sem maiores indícios.

De todo modo, o número que o Buzzfeed dá, de uma chance geral (sendo a acusação verdadeira ou não) de um homem, ao longo de um ano, ter uma chance de 1 em 2,7 milhões parece completamente furado. Em 2013, 16.863 pessoas foram presas por estupro, nos EUA. Consideremos que 90% sejam homens. Em 2013, a estimativa é de que havia 317.773.895 americanos. Isso dá uma taxa de 96 homens americanos presos por estupro a cada milhão ou 1 chance em 10.416,67 - 258 vezes maior do que a estimativa do Buzfeed. E isso incluindo bebês do sexo masculino.*

Como no caso da enquete sobre cantadas, e a história de um estupro a cada 12 segundos, está-se partindo de números ruins. O drama do estupro já é suficientemente grave para que seja considerado um problema a ser enfrentado com seriedade. Não é preciso estatísticas suspeitas para isso: apenas trabalha contra a causa, na verdade.

*Obs: ao fim o Buzzfeed faz outra comparação ruim. Usa o risco durante a *vida* de ser estuprado contra o risco *ao longo de um ano* de ser acusado de estupro. O melhor é que a comparação dê-se em termos de mesmo período

Se o valor de 1:33 fosse confiável como o risco de um homem ser estuprado pelo menos uma vez ao longo de sua vida, isso significaria um risco anual - considerando-se uma expectativa de vida média de 76,4 anos - de 403 em 1 milhão ou 1:2.481,39. As chances, ao longo de um ano, de vir a ser estuprado seriam 4,2 vezes as chances de ser acusado (falsamente ou não) de estupro.

Mas as estatísticas do Bureau of Justice Statistics do Departamento de Justiça americano indicam que em 2014 foram 284.350 casos de estupro. Se 10% desses casos envolverem vítimas do sexo masculino, as chances de um americano do sexo masculino vir a ser estuprado ao longo de um ano serãoá de 179 em um milhão ou 1:5.587,72. As chances de, ao longo de um ano, um americano do sexo masculino (adulto ou criança) vir a ser sexualmente violentado ésão 1,87 vez maiores do que de ser acusado de estupro. Se considerarmos apenas homens adultos, provavelmente as chances de vir, ao longo de um ano, a ser acusado (justa ou injustamente) de estupro devem ser pouco maiores do que a de ser vítima de estupro.

Disclêimer: o de praxe, sou machista, mas não me orgulho disso.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Terrível simetria

Parte das feministas (e não apenas elas) aplicam mal o conceito de falsa simetria. (Não sei a proporção. São pelo menos quatro casos.)

A falsa simetria ocorre quando se desconsidera a desigualdade existente entre um conjunto X de condições de A e de B para aplicar o mesmo tratamento em relação a essas condições. Por exemplo, falar que, como a mulher se aposenta com 60 anos, os homens também deveriam poder se aposentar com essa idade e não com 65 - ignorando que a aposentadoria mais cedo compensa parcialmente a desigualdade nas condições de trabalho: menores salários e dupla jornada, p.e.**

Quando se propõe tratamento igualitário para condições Y de A e de B, em que não há desigualdade sensível, não há que se falar em falsa simetria. P.e., se os homens podem gostar de sexo casual, as mulheres também podem ('poder' no sentido moral).***

O que algumas feministas parecem entender é que falsa simetria se refira à toda igualdade de tratamento proposta com base na extensão ao homem do direito/privilégio/estado dado à mulher. Se invertermos o exemplo acima: "Se as mulheres podem gostar de sexo casual, os homens também podem" - para essas, soa como uma falsa simetria.

Esse exemplo acima é hipotético, mas o seguinte é verdadeiro. Comentei jocosamente no twitter que, na Copa do Mundo de Futebol Feminino ano que vem, as mulheres irão comentar sobre esquemas táticos e habilidades das jogadoras, enquanto os homens irão falar de coxas e quadris. Pra quê? Virei machista (o que, a propósito, declaradamente eu sou*).

Claro, há pressuposições ocultas. Por exemplo, que a brincadeira acima assume que as mulheres só falem sobre coxas e traseiros dos jogadores e não sobre esquemas táticos e desempenhos. Não há nenhuma suposição quanto a isso acima. Quer dizer, supuseram que eu supus. Ótemo.

Outra pressuposição: que implica que as mulheres não tenham o direito de falar sobre a beleza masculina. Novamente, nenhuma suposição como essa lá em cima.

A pressuposição existente e que, aparentemente, não foi percebida é: há um discurso condenatório quanto à objetificação da mulher pelo homem quando este manifesta seu agrado pela beleza física feminina. Até aqui é uma crítica aceitável. Porém, surge um contrassenso quando, por parte de quem tem tal discurso, fazem-se observações de mesma natureza em relação aos jogadores. Não há, aqui, uma falsa assimetria quando se observa que: "então os homens não podem apreciar a beleza feminina, mas as mulheres podem [apreciar a dos homens]?" Não há uma desigualdade na condição humana que permita que um gênero possa ser objetificado e outro não.

A contradição também pode ser desfeita com um discurso mais liberal - em um sentido, menos moralizante: "é ok os homens falarem da beleza das mulheres, desde que as mulheres também possam fazer isso em relação aos homens". O que implica no vice versa: "é ok as mulheres falarem da beleza dos homens, desde que os homens também possam fazer isso em relação às mulheres".

*Vide a observação ao pé do texto aqui.

**Upideite(15/jul/2014): Ou seja, temos as condições X (trabalhistas: salário, jornada); A, digamos, mulheres; e, portanto, B homens. E X_A ≠ X_B (há assimetria). E temos um elemento relacionado a X, aposentadoria (x). Se queremos que X'_A = X'_B (igualdade aqui denotando equivalência), não adianta que, em: X_A + x_a = X'_A e X_B + x_b = X'_B, x_a e x_b sejam iguais (simétricos). x_a e x_b precisam ser antissimétricos; os desiguais precisam ser tratados de modo desigual para restaurardesfazer a desigualdade. Naturalmente o tratamento deve ser no sentido de reduzir a desigualdade, não de aumentá-la.

***Upideite(15/jul/2014): Ou seja, temos as condições Y (direito à liberdade sexual); A, mulheres, e B, homens. E Y_A = Y_B (há simetria). E temos um elemento relacionado a Y, prática sexual (y). Se queremos que Y'_A = Y'_B, com Y'_A = Y_A + y_a e Y'_B = Y_B + y_b, naturalmente, y_a tem que ser igual a y_b (simétricos).

domingo, 9 de março de 2014

Feminismo e misandria

Impossível dialogar de boa com algumas feministas. Sempre com pedras nas mãos.

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"Meu conto erótico tem misandria, sexo lésbico e acaba com a frase 'montanha fedorenta de lixo'. Quem quer ler?"

"Quedê?"

"Aqui."

"Qual a importância do foreplay em sexo lésbico?"

"?"

"É que em seu conto praticamente não tem foreplay antes dos finalmente. Aí fiquei na dúvida se é só um recurso literário ou se tem uma questão antropológico-sexual descrita aí."

"O que você considera 'foreplay'? Como você define 'finalmentes'?"

"Finalmentes são o ato sexual propriamente dito - o que em juridiquês se define como atos libidinosos."

"O que é 'ato sexual propriamente dito'?"

"O que em juridiquês é 'ato libidinoso'. Contato físico de caráter sexual com as regiões pudendas - incluindo a boca."

"Meu deus, homem tentando entender como funciona sexo entre duas mulheres é realmente patético."
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E a coisa piora. Uma hora, a menina (nominalmente adulta) me solta: "porque pra homem 'sexo propriamente dito' é penetração." Sendo que no conto da moça tem handjob, cunilingus, beijos, além da penetração por vibrador - ou seja, tudo isso, na minha pergunta, está incluído no "sexo propriamente dito".

Enquanto parte das feministas mantiverem essa imagem estereotipada dos homens vai ser complicado pedir compreensão por parte de nós, homens. Ainda mais se o diálogo se torna impossível pela agressividade verbal gratuita.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Regulamentar ou proibir a prostituição?

Em função do projeto de lei do deputado federal Jean Wyllys de regulamentação da prostituição (ou trabalho sexual) no Brasil, parte dos grupos feministas - autodenominados abolicionistas - manifestaram sua contrariedade e a enfática defesa da proscrição legal da prática: sua criminalização completa (naturalmente, não direcionada às prostitutas - e prostitutos -, mas aos clientes). P.e. a SOF, o CoFem da LiHS, o Coletivo Nacional de Mulheres da CUT. E não apenas mulheres. Embora eu não tenha uma opinião fechada especificamente sobre o projeto de J.W., eu sou contra a ideia de criminalizar a prostituição (inclusive os clientes) e favorável à sua devida regulamentação.

Vou tentar deixar claras algumas coisas antes de prosseguir:
a) Sou totalmente a favor dos direitos das mulheres ao tratamento equitativo: elas devem ter condições iguais de trabalho, salário, família (p.e. os homens devem dividir as tarefas domésticas e os cuidados com os filhos), etc. E devem ser totalmente respeitadas em sua integridade física, moral, psicológica, etc. e respeitadas como seres autônomos: capazes que são de tomar e se responsabilizar por suas próprias decisões;
b) Envolvendo a questão acima, mas indo além, sou totalmente contra a exploração sexual* de mulheres (e de seres humanos e até de não humanos). A exploração sexual deve, sim, ser combatida e abolida.

Obviamente os grupos abolicionistas também concordam com os dois pontos acima. Mas, então, como se dá a divergência?

Fundamentalmente porque os grupos abolicionistas redefinem a prostituição como: "uma prática através da qual é garantido aos homens o acesso grupal e regrado ao corpo das mulheres". *Por definição*, prostituição passa a ser exploração sexual, aí, como se é contra a exploração sexual, não é possível se aceitar a regulamentação e nem mesmo tolerar sua continuidade: é preciso bani-la.

Mas se partimos da definição usual de prostituição: "sexo mediante pagamento (em espécie, mercadorias ou serviços)" chegamos a uma conclusão completamente diferente e, em vários sentidos, oposta à dos grupos feministas abolicionistas.

Em uma situação igualitária, na qual a mulher tem plena liberdade de decisão (ou pelo menos tão livre quanto seja minimamente aceitável que um ser humano possa ser), ela querer oferecer sexo mediante pagamento é tão somente um serviço. Como a maioria das feministas abolicionistas e dos liberais/progressistas (como eu) não têm uma visão moralizante a respeito do sexo, aceita que seja um elemento cuja presença na vida humana deva ser vista com naturalidade (ei, não estou falando em voyeurismo, seu safadinho), não seria um alvo, em si, de escândalos e necessidade de proscrição.

A objeção que se pode levantar é que isso se dá em uma situação igualitária e não é o que temos atualmente. Não há como discordar disso. Mas, de um lado, isso significa que a situação igualitária deve ser alcançada - não significa necessariamente que a busca por sexo com prostitutas deva ser criminalizada; de outro, os dados mostram que, a situação desigual (o suficiente para caracterizar um cenário de exploração sexual, na qual a mulher tem seu poder de decisão subtraído) não é universal: uma parte substancial das prostitutas estão em posição (sem trocadilhos) de escolher entre ser ou não prostituta.

Em levantamento feito em 2000, 53% das prostitutas ganhavam mais de 4,5 S.M. (salários mínimos, não sadomaso) ou R$ 680 reais/mês (R$ 1.642 atualizados pelo IPCA). Em um universo estimado de 1,5 milhão de trabalhadores do sexo, mesmo os 2% com curso superior, correspondem a 30 mil prostitutas - compare-se com os pouco menos de 17 mil juízes de direito em atividade no Brasil. Mesmo sob o argumento de que as prostitutas que possam escolher sejam a exceção, são uma exceção suficientemente numerosa para serem levadas em consideração. Para a fração sem condições de escolha: sejam as 4% analfabetas, sejam as 98% sem ensino superior - naturalmente devem ser protegidas, é preciso programa (sem trocadilho) que permita que elas saiam da prostituição e se qualifiquem para outras ocupações que desejarem.

Mas também analisemos os efeitos da regulamentação e os da criminalização.

Relatório da ONU de 2012 sobre os efeitos da legislações da Ásia e da Oceania sobre prostituição mostra que a proibição da prostituição resulta em uma precarização das condições das prostitutas, expondo-as a maiores riscos de contrair HIV:
"Criminalization increases vulnerability to HIV by fuelling stigma and discrimination, limiting access to HIV and sexual health services, condoms and harm reduction services, and adversely affecting the self esteem of sex workers and their ability to make informed choices about their health."

Um estudo econométrico de 2013 sobre a regulação da prostituição concluiu:
"Our theoretical analysis of how prostitution laws affect voluntary prostitution and sex trafficking yields several conclusions. First, if the regulator aims to eradicate trafficking and restore the equilibrium that would arise in an unregulated market without traffickers, then the optimal regulatory framework combines licensed prostitution with severe criminal penalties on johns who purchase sex from unlicensed prostitutes. So far this model has not been implemented by any country, even though it is a combination of two existing regulatory frameworks. Second, if the objective is to abolish all – voluntary and involuntary – prostitution, the Swedish model of criminalizing all demand is the optimal regulatory framework. In the absence of voluntary prostitution, the Swedish model and the aforementioned one are equivalent. Finally, criminalizing johns is always superior to criminalizing prostitutes. The former is more effective against trafficking and comes without the by-product of inflicting criminal penalties on trafficking victims."

O modelo sueco de proibição da prostituição é bom para abolir a prostituição - o que é bem um truísmo. Mas só é um objetivo desejável por si se se parte da definição de prostituição como exploração sexual. Sim, é bom também para se eliminar a parte da prostituição que é exploração sexual, mas aí a regulamentação também é boa. E a regulamentação tem a vantagem de não impedir as mulheres (e homens) que, por livre e espontânea vontade, desejarem fornecer serviços sexuais pagos o façam.

Ou seja, a criminalização da demanda não tem uma vantagem real sobre a regulamentação: de um lado expõe as prostitutas a condições mais precárias, de outro não é superior no combate à exploração sexual. Só é vantajosa sob a perspectiva da nova definição de prostituição como uma foma de exploração sexual das mulheres.

Mas mesmo que se suprima completamente a prostituição, se não há combate às desigualdades entre homens e mulheres, as ex-prostitutas apenas encontrarão outras formas de serem exploradas e expropriadas. Com o devido combate, mesmo sem a proibição - sob o argumento de que as mulheres só se prostituem por falta de perspectivas -, a prostituição deixa de fazer sentido.

A regulamentação é vantajosa mesmo se não nada for feito para se combater as desigualdades: protege as prostitutas de condições precárias.

*Upideite(22/fev/2014): A ONU, um tanto recursivamente, define exploração sexual como: "any actual or attempted abuse of a position of vulnerability, differential power, or trust, for sexual purposes, including, but not limited to, profiting monetarily, socially or politically from the sexual exploitation of another"

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Cantadas e assédios: uma solução parcial?

A respeito de um episódio de assédio ocorrido há mais ou menos um ano lá na gringolândia, cujas consequências se deram agora, com a revelação do nome do assediador (para detalhes veja postagem de Carlos Hotta, no Brontossauros em Meu Jardim), o filósofo australiano John S. Wilkins pergunta-se que tipo de regra social deve ser estabelecida para minimizar o cruzamento de fronteiras entre um flerte aceitável e o assédio detestável.

A variação, mesmo entre as mulheres, de percepções e opiniões a respeito do tema - já tratei aqui algumas vezes, como no caso da campanha contra as cantadas de rua - é grande o bastante para tornar a possibilidade de qualquer regra universal ou amplamente aceita, se não remota, potencialmente muito difícil.

Considerando-se, no entanto, a disseminação de tecnologias móveis de comunicação, pode haver uma possível solução parcial.

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É um tipo de app que já existe, mas neste mundo WEIRDs (Western Educated Industrialized Rich and Democratic societies - e adjacências como o Brasil: não exatamente educado, não tão rico) cada vez mais complexo, cheio de nuanças e sensibilidades distintas a serem respeitadas, é algo que deveria ser cada vez mais adotado - sobretudo em encontros sociais: um auxiliar pessoal de flerte.

As pessoas se cadastram no serviço, fornecendo dados como gostos pessoais, tipos de pessoas que acham atraentes e tipos de abordagens permitidas. Estando em um dado local, a pessoa pode consultar a lista de pessoas presentes e marcar as que achar interessantes. Se houver coincidência mútua nas marcações, ambos são avisados. (O sistema de crush do quase finado orkut funcionava, nesse aspecto, de modo similar.)

É meio idiota, mas pode ser melhor do que ferir sensibilidades e ser exposto por abordagem inadequada - evitando processos e prejuízos no emprego.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Feministas, o machismo faz bem a vocês*

*Antes de atirarem as pedras em mim, leiam a observação lá embaixo desta postagem.**

Não pretendo dizer ao movimento feminista o que ele deve dizer ou como ele deve dizer. Só expresso minha opinião [sim, não tem importância alguma, menos ainda para o movimento feminista - o que é ótimo por duas razões: 1) o que eu disser não irá afetar o movimento; 2) não firo sua autonomia] de que a opção discursiva de parte desse movimento dificilmente servirá para atrair aliados estratégicos nas "hostes" masculinas.

O post "Óbvio que todos os homens não odeiam mulheres. Mas todos os homens devem saber que são beneficiados pelo sexismo" [1], ao dizer que o sexismo beneficia todos os homens, basicamente diz: "Homens, o feminismo é PREJUDICIAL a vocês".

Se o sexismo beneficia os homens, pra quê iríamos querer mudar?

O tom do artigo é de chamada à consciência. Mas se os homens tivéssemos consciência, não haveria muita coisa a mudar pra começo de conversa. Oquei, a conscientização é necessária, mas: a) nem é suficiente (preciso dizer que de boa intenção o congresso nacional está cheio?), b) nem creio que isso se desenvolva com um argumento do tipo: "você é opressor, ponto". (Sério, "poxa eu sou mesmo um opressor, preciso mudar minhas atitudes", é algo que alguém esperaria ouvir?)

Åsa Heuser disse que argumentar que o sexismo é prejudicial ao homem seria como tentar por fim à escravidão dizendo ao escravocrata que a escravidão é prejudicial à eles. Primeiro: esse *foi* um dos argumentos utilizados para o fim da escravidão a fim de vencer essa resistência; segundo: a questão é convencer *quem tem poder*. No caso, a Inglaterra estava mais do que convencida de que a escravidão no Brasil era prejudicial a seus negócios.

Infelizmente, embora a Inglaterra esteja mais do que convencida de que o sexismo no Brasil é prejudicial a seus negócios, hoje ela não pode bloquear portos, saquear cidades e apontar canhões para o palácio imperial brasileiro. São os *homens* brasileiros que têm o poder - e, embora nem todos os homens odeiem mulheres, virtualmente 100% somos machistas (mesmo os que acham que não são - me mostre um homem feminista e eu te mostrarei um hipócrita).

O fim da escravidão até teve um elemento moral - uma leitura cristã condenando a escravidão -, mas não vinha com um argumento do tipo: "escravocratas, a escravidão beneficia totalmente a vocês". E nem foi o elemento principal para sua abolição nestas paragens. [2]

É um erro muito similar a de certa parte do movimento ateísta que diz: "religiosos, vocês deveriam nos tolerar porque a religião é estúpida e como ela os faz estúpidos, ela os faz nos odiarem, não sejam estúpidos".

E entro só de leve no argumento de que, afinal, o sexismo *é* prejudicial aos homens. Em primeiro lugar porque coloca nossas irmãs, esposas, filhas, mães, avós... em relação de desvantagem. Isso *diminui* efetivamente o orçamento familiar, isso *expõe* efetivamente nossas parentas e amigas a perigos inomináveis, isso *aumenta* os custos sociais (sim, isso implica em impostos mais caros - entre segurança, gastos com saúde, estrutura de política para a mulher, políticas compensatórias como cotas e ações afirmativas em geral...).

Mas o meu ponto mesmo (já que não se afeta no caso de o sexismo ser mesmo benéfico aos homens) é um argumento do tipo "olha como você é meu inimigo... quer ser meu amigo?" tende a ser pouco produtivo. O enquadramento da questão afeta sobremaneira como ela é percebida. A percepção afeta sobremaneira as atitudes. Atitudes influenciam as decisões. Decisões... bem, decisões são as que são necessárias para implementar mudanças.

A menos, é claro, que as mulheres tenham segurança para mudar o quadro por elas mesmas. Isso é possível? Seguramente: elas são a maioria censitária, poderiam eleger representantes estratégicos (uma presidenta já temos - ainda que não exatamente graças a elas***) - caveat: precisariam convencer a mais da metade das mulheres que votam em homens. Plano B: uprising - caveat: as mulheres *são* fisicamente mais fracas (em média) do que as forças policiais e nem têm acesso a arsenais significativos (claro, sempre podem tentar sequestrar figuras importantes - ei, ABIN, nota irônica, ok?).

Há várias estratégias eficientes para se combater mais efetivamente o sexismo. Quase todas passam justamente por mostrar como o sexismo é prejudicial aos homens. Uma empresa trata desigualmente as mulheres? Campanhas, protestos, locautes, boicotes, greves, ataques terroristas (NSA, again, just kidding)... que mostrem *como* o sexismo prejudica a empresa - seja diretamente nas vendas, seja com prejuízo da imagem, seja por vias legais (felizmente temos mecanismos legais de combate à discriminação sexual) - e, consequentemente, como prejudica o executivo idiota sexista (todo sexista é idiota, mas nem todo idiota é sexista) que terá o emprego em risco na próxima assembleia de acionistas.

Você pode desejar que os homens sejam maduros o suficiente para combater o sexismo porque é certo, mesmo que isso o prejudique. Desejar pode. Mas, a menos que Aladdin tenha emprestado sua lâmpada, não é o meio mais eficiente para se obter as mudanças necessárias.

**Se você é feminista e o título deste post a fez ter simpatias por mim, então eu dou meu braço a torcer e retiro o argumento de que dizer que o sexismo é benéfico aos homens é ineficaz. (Pra eventualidade de alguém não ter entendido: sim, o machismo é *prejudicial* às feministas, às mulheres, à humanidade. Só não é prejudicial ao Universo porque, se ele fosse capaz de ligar pra alguma coisa, certamente não estaria nem aí com a humanidade.)
***58% dos eleitores masculinos votaram em Dilma (42% em Serra), apenas 54% das eleitoras fizeram o mesmo (44% em Serra). [3]
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[1] http://blogueirasfeministas.com/2013/10/obvio-que-todos-os-homens-nao-odeiam-mulheres-mas-todos-os-homens-devem-saber-que-sao-beneficiados-pelo-sexismo/
[2] http://revistaacervo.an.gov.br/seer/index.php/info/article/view/105/85
[3] http://novo-jornal.jusbrasil.com.br/politica/6094496/ibope-aponta-dilma-com-56-dos-votos-validos-e-serra-44

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Da Pesquisa Chega de Fiu Fiu e uma sugestão

O pesquisa online realizada pelo site Olga tem tido bastante repercussão e foi objeto de reportagem do sítio web da revista Época.

De um lado é importante que a questão da "cantada de rua" - bandeira de várias feministas, como o próprio pessoal do Olga, do Cantada de Rua, Blogueira Feministas e outras - ganhe mais visibilidade para discussão. Só não estou muito certo a respeito do papel que tal visibilidade -e a consequente discussão - tem dado à percepção masculina a respeito das cantadas*. Há, de certo, um número grande de manifestações negativas e até grotescas, mas não sei quão representativo isso é do universo masculino.

Mas é preciso colocar em perspectiva ainda a representatividade da pesquisa "Chega de Fiu Fiu" promovida pelo Olga. O viés de autosseleção pode ter atuado de modo bastante intenso. Clara Averbuck enfatiza que foram 8 mil mulheres, das quais, 83% disseram se sentir, no mínimo, incomodada com as cantadas recebidas. Por outro lado, uma pesquisa nacional encomendada pela fundação Perseu Abramo em 2001 (a respeito da qual comentei aqui mesmo no NAQ), mostrava um número diferente: dos 73% de mulheres que disseram já terem sido cantadas, 43,8% se diziam incomodadas com as cantadas - o restante recebia como elogio, não ligava ou achava que dependia da cantada.

Será que a situação mudou nestes últimos 12 anos? É possível que, sim. Mas é possível que não. Ou pode ter mudado em outra direção. Como já disse antes, há mulheres que *declaradamente* gostam de ser cantadas. E, mais uma vez, não estou com isso dizendo que então tudo bem os homens abordarem indiscriminadamente as mulheres - o ponto que gostaria e muito de debater é *como* diferenciar as que gostam de ser cantadas das que não gostam (mas até o momento não venho sendo bem sucedido em obter um diálogo a respeito com a parte feminista contra as cantadas).

Minha sugestão é que seja feita uma pesquisa nacional representativa - digamos, 1.000 entrevistadas em todo o território nacional segundo os critérios de corte censitário. Um instituto de pesquisa haveria de ser contratado. O valor seria levantado via crowdfunding. Uma pesquisa completa deve sair na casa dos 200.000 a 500.000 reais, mas uma mais compacta (feita juntamente com várias outras pesquisas) pode sair mais em conta (embora menos detalhada): algo como 50 mil reais.

*Upideite(14/set/2013): pesquisas que indicam que o confrontamento de diferentes opiniões podem levar a um acirramento da oposição.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Abortando uma discussão: Os homens são mesmo o "inimigo" das pró-escolha?

Com a aprovação pela Comissão de Finanças e Tributação da Câmara Federal dos Deputados do PL 478/2007, o "Estatuto de Nascituro" ou "Bolsa Estupro"*, uma nova leva de protestos - legítimos - e uma discussão sobre o aborto e os direitos da mulher.

Sobre as bisonhices do projeto escrevi aqui.

Sobre os erros de muitos dos argumentos pró e contra o aborto, escrevi aqui.

Feministas (ao menos uma parte) continuam errando o alvo, achando que a maioria dos que são contrários ao aborto são homens.
Por feministas, não se entenda apenas mulheres:
Pela pesquisa Ibope de 2003 sobre o tema:

  • 8% das mulheres apoiavam uma flexibilização da lei permitindo o aborto em mais casos do que os previstos; entre os homens, eram 12%.
  • 51% das mulheres disseram que a lei deveria continuar como está; 55% dos homens disseram o mesmo.
  • 33% das mulheres achavam que o aborto não deveria ser permitido em nenhum caso; 31% dos homens tinham a mesma opinião.


Pelo Datafolha de 2008:

  • 12% das mulheres responderam que o aborto deveria ser permitido em qualquer caso; 10% dos homens responderam igual.
  • 13% das mulheres apoiavam que o aborto fosse permitido em mais casos; 16% dos homens tinham a mesma opinião.
  • 68% das mulheres achavam que a lei deveria continuar como está; 68% dos homens pensavam do mesmo modo.

Já na pesquisa Ibope de 2011:

  • 11% das mulheres são a favor de se permitir o aborto em caso de faltas de condições econômicas; 17% dos homens pensam o mesmo.
  • 9% das mulheres são a favor no caso de falha de anticoncepcional; 13% dos homens acham isso também.
  • 48% das mulheres são a favor no caso de estupro; 50% dos homens também são favoráveis.
  • 63% das mulheres apoiam o aborto no caso de feto com defeito grave; 67% dos homens pensam isso.
  • 56% das mulheres querem apoiam o aborto em caso de risco de vida da gestante; 62% dos homens apoiam igualmente.

Não há diferenças significativas entre homens e mulheres no que se refere à opinião sobre o aborto - na verdade, mais homens do que mulheres tendem a apoiar a permissão do aborto de modo geral. Mas a situação é que as mulheres que pretendem ampliação dos casos em que o aborto seja legalmente permitido *precisam* convencer os homens - somos maioria nas posições decisórias, no legislativo, no executivo e no judiciário. Se esperam que os homens sairão do caminho apenas com palavras de ordem do tipo "só quem tem útero pode opinar", tenderão a fracassar. Ainda mais se não conseguem convencer um número equivalente ou até ligeiramente maior de "seres com útero" (estou incluindo aqui, claro, mulheres que por razões médicas tiveram que se submeter à histerectomia, já que o sentido não é literal) de sua posição.

Upideite(07/jun/2013): Disclêimer: o de praxe, sou machista, mas não me orgulho disso.

Upideite(07/jun/2013): Parecer da Comissão de Bioética e Biodireito da OAB-RJ. via @prisciencia.


*Upideite(07/jun/2013): Concordo com os que reclamam da expressão "Bolsa Estupro". O uso depreciativo como "bolsa xis" faz parte do discurso conservador de desmerecimento de toda forma de investimento social. Por outro lado, pode ser uma estratégia de adequação da linguagem ao público-alvo: a tentativa de dissuasão do apoio ao PL 478/07 é voltada justamente ao público conservador. Mas como os demais elementos do discurso destoam: para boa parte dos conservadores, quando falam "direitos reprodutivos", "direito ao corpo", "empoderamento feminino", "opressão machista", eles escutam "blablablá".

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Um pouco mais sobre cantadas: ajuste semântico necessário

Antes de prosseguir, dois avisos importantes:
1) Concordo que abordagens grosseiras às mulheres por parte dos homens (e outras mulheres) são altamente reprováveis;
2) Sou machista (mas não estou dizendo que é tudo bem ser machista, ao contrário).

Åsa Heuser, em seu Uma Ateia Humanista, aborda a questão da cantada. Do que ela chama de cantada-de-rua. Grosso modo, corresponde a cantadas grosseiras ou cantada de pedreiro/feirante...

Creio que haja concordância nos extremos do espectro: abordagens mais suaves - que Heuser chama de 'galanteio', do tipo: "poxa, você está bonita hoje", extremante polida e delicada são permitidas ou aceitáveis (desejáveis?); abordagens rudes do tipo: "e aí, tesuda, que tal uma tchatchaca na butchaca?" são vetadas e condenáveis.

Figura 1. Como algumas feministas veem a questão de cantadas aceitáveis e inaceitáveis. **Fonte.

O problema está no meio do caminho - ou que seria o meio do caminho. Heuser e várias das comentaristas e depoentes em seu "Cantada de rua" consideram ofensivas cantadas do tipo: "gostosa", "delícia". Há feministas que consideram ofensivas também: "essa cadeira está vazia?",

Mas não é uma posição defendida por todas mulheres - e creio que a estimativa de 99% de mulheres que não gostariam dessas cantadas que estou chamando de "meio do caminho" seja irrealisticamente alta - e nem mesmo por todas as feministas.

Abaixo uma seleção de depoimentos de mulheres famosas e desconhecidas (não se pretende aqui estabelecer que a maioria das mulheres gostem, apenas demonstrar que há um certo número delas que recebem bem cantadas que algumas feministas consideram como grosseira):

Algumas análises acadêmicas:

"Em primeiro lugar, a ênfase na decadência do corpo e na falta de homem é uma característica marcante do discurso das brasileiras. Muitas disseram que passaram a se sentir invisíveis depois dos 50 por não receberem mais elogios ou por não serem paqueradas na rua. Algumas relataram, com tristeza, que 'ninguém mais me chama de gostosa'." (Mirian Goldenber 2011)

"No depoimento das meninas e meninos da pesquisa são marcantes esses sinais corporais, quando enumeram qualidades negativas, defeitos, associando-os às representações que têm de si mesmo: 'sou feia e detesto meu cabelo' foi a caracterização que Violeta fez de si. Essa representação de si transmite a seguinte mensagem: sou negra, tenho cabelo de negra e moro num espaço considerado pobre e perigoso. Desse modo, ela pontua como gosta de ser considerada: 'eu gosto ser chamada de gostosa'. Ser 'gostosa' no cotidiano é ter sinais corporais que são valorizados pelo imaginário masculino. É a mulher que quando passa os homens 'mexem': 'ei gostosa!,' atitude muito presente nas ruas do bairro. Isso mostra como o espaço de moradia implica na construção do indivíduo, da alteridade e da relação entre indivíduos, grupos e sociedade, de forma que se constitui numa expressão de marcas culturais que são expressas intensamente na dimensão simbólica do corpo." (Rosângela da Silva Quintela 2003)

Para uma parcela do mulherio que gosta de ser chamada de gostosa, aparentemente há uma ligação com a autoimagem - mas não necessariamente são pessoas com autoimagem ruim. Não dá pra dizer que sejam todas apenas vítimas do machismo a que se submetem - na relação dos depoimentos acima há mulheres que são bem conscientes da questão do feminismo e da desvalorização das mulheres.

Não quero aqui fazer defesa de um suposto direito dos homens de chamarem as mulheres de gostosa, delícia, aimeudeusqueriaissoláemcasa. Não quero tampouco diminuir os dramas reais de mulheres que são tratadas de modo deselegante, desrespeitoso e até violento. Os depoimentos são bem contundentes quanto ao sentimento de insegurança e de indignação que provocam nas mulheres em geral.

Quero chamar a atenção para o fato da diversidade de opiniões a respeito deste ponto - a definição nesta zona intermediária de "cantada-de-rua" é menos clara do que o texto de Heuser faz supor. O ideal de interação imaginada por parcela das feministas (Figura 1) parece muito insosso* - se fosse realmente a maioria das mulheres que se sentissem mal com cantadas do tipo "gostosa/delícia", não haveria muito a fazer a não ser aceitar o fato e *não* se valer desse recurso. Porém, é bem possível que o quadro seja substancialmente diferente.

A divergência não é uma oposição homens x mulheres. Há divergência dentro do próprio grupo feminino (e feminista). Então, dentro dessa zona cinza, é preciso um diálogo mais intenso (e respeitoso) para a construção do sentido de "cantada-de-rua" ou qualquer outra expressão demarcatória do limite entre a cantada aceitável e a inaceitável.

*Upideite(30/mai/2013): Isso se os quatro primeiros quadrinhos representarem o limite superior do aceitável. Ninguém poderia sair da friendzone sem ser considerado um tarado.
**Upideite(31/mai/2013): Adido a esta data.
***Upideite(08/fev/2014): Adido a esta data.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Feministas, o homem pode ou não ajudar na arrumação da casa?

Nos meios feministas tem um mito. Quando o homem diz: "Eu ajudo em casa com as tarefas domésticas", várias das defensoras dos direitos das mulheres têm calafrios. Dizem que é errado usar o termo "ajudar", o correto é "dividir". Para elas, falar que o homem ajuda a mulher nos afazeres do lar significa que o dever de limpar, cozinhar, lavar, passar, cuidar dos filhos, etc. é da mulher.

Por exemplo, a jornalista Míriam Leitão, em sua coluna em O Globo (comentada por Cristina Castro no blog da kikacastro), reclamou de reportagem em outro veículo da casa.

"Querida revista Época, como leitora, assinante e admiradora da publicação, gostaria de lembrar que 'ajudar' pressupõe que a obrigação — no cuidado da casa e dos filhos — é da mulher."

Não, mil vezes não. "Ajudar" quer dizer... "ajudar" e não "transferir a responsabilidade".

Vejamos alguns exemplos: "Os bombeiros de São Sebastião do Paraíso conseguiram ajudar, por telefone, uma mãe a salvar o filho que havia engasgado na manhã deste sábado (19).", "Cavalo cai em poço e bombeiros ajudam retirar o animal do local.", "Mais de 20 policiais ajudam na busca por assaltantes de cooperativa de MT."

Os bombeiros e policiais estão só dando uma forcinha para outra pessoa que tinha o dever de fazer o trabalho? Não. Eles estão desempenhando suas funções.

Quando queremos enfatizar que a ajuda é de menor importância (e os méritos e/ou responsabilidades de outrem), temos que usar modificadores - advérbios, adjetivos, diminutivos: "eu ajudei", "foi apenas uma ajudinha", "uma ajuda de nada". Já: "eu ajudei" ou "foi uma ajuda" passa a ideia de contribuição efetiva. Esses modificadores modulam até contribuições do tipo que normalmente se valoriza: "dei apenas a ideia", "tive que orientá-lo", "não mais do que minha obrigação, o que fiz".

Se fosse verdade que "ajudar" implicasse que a responsabilidade seria do ajudado, esta frase "a mulher deve ajudar o homem a administrar a casa" não deveria soar tão machista quanto a forma que causa horror a boa parte das feministas: "o homem deve ajudar a mulher a administrar a casa".

Em tempo, não sou contra formulações alternativas como "divisão de tarefas". Se se sentem melhor assim, tudo bem. Apenas que a coitada da "ajuda" não deveria pagar o pato.

Disclêimer: O aviso de sempre - sou machista, mas não me orgulho disso.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Canta, canta minha gente. Ou não?

@nadialapa, também conhecida como Letícia F., postou no blogue Cem Homens um texto sobre mulheres que agem de modo machista ao criticarem mulheres que gostam de se vestir de modo considerado sensual (roupas coladas, que mostram partes do corpo e acentuam as curvas).

Nos comentários, uma leitora reproduziu uma publicação no facebook de uma mulher que gosta de ser assediada (receber cantadas grosseiras). nadialapa sugeriu que a solução seria o assediador perguntar antes.

Creio que não funcione. E não pelo motivo que nadialapa sugere: "Se você não sabe a diferença entre flerte e assédio, realmente perguntar antes não resolve." Essa distinção não tem nenhum papel relevante na questão. Está a se falar de mulheres que gostam de receber cantadas, mesmo as mais grosseiras.

Sim, há que se respeitar as mulheres que não gostam de assédio. Mas a parcela que gosta de cantadas não é insignificante. Se você pergunta antes, digamos, "oi, você gosta de ser assediada?" para uma estranha na rua, a parcela que não gosta vai ser incomodada do mesmo jeito, já para a parcela que gosta será algo anticlimático.

Não convém adotar a estratégia de se assediar a todas, causará transtornos à parcela das mulheres que não gostam disso. Não dá para simplesmente não assediar nenhuma. Declaradamente, as mulheres que gostam têm até a autoestima afetada quando não recebem elogios (mesmo o do tipo que a outra parcela consideraria grosseria)*.

É preciso pensar em um modo prático e que não gere anticlímax que permita a distinção entre os grupos. A prática corriqueira de muitos homens de se fiarem no modo de se vestirem não é boa: parcela significativa das mulheres que gostam de se vestir 'sensualmente' não querem ser assediadas. E não é justo privar essa parcela do direito de se vestirem como gostarem.

(Obviamente o assédio definido como cantada grosseira *não* comporta nenhum consentimento de violação física. Se uma mulher gosta de receber 'cantada de pedreiro', não significa que ela aceite ser tocada.)

*Obs: Não se interprete essa questão de autoestima como uma desculpa, por parte dos homens, de assédio para o bem das mulheres, algo ridículo do tipo: "estou até fazendo um favor". É uma constatação, *declaradamente*, mulheres que gostam de ser assediadas sentem-se feias ou desvalorizadas quando não o são. Obviamente, os assediadores o farão porque faz bem a *eles*.

Disclêimer: O de praxe, sou machista. Não me orgulho disso.

domingo, 15 de abril de 2012

Cantadas, galanteios e outras questões feministas

Como uma pessoa recebe uma cantada é um ato pessoal: pode achar um galanteio, pode ser indiferente a ela, pode considerar um aborrecimento menor ou ter uma forte opinião contrária - mesmo a cantadas das mais leves como "e aí, gatinha/o". Não me cabe julgar isso, só respeitar os sentimentos de cada um/a.

Porém, chamou-me a atenção um trecho do texto publicado no Blogueiras Feministas:
"Ao contrário do que muitos homens gostam de dizer por aí, a maioria de nós, mulheres, não se sente prestigiada ou enaltecida ao ser assediada na rua por um sujeito que ela não conhece e, tampouco, tem a intenção de conhecer."

Claro, depende um pouco do significado de assédio - no texto, a autora discute casos grotescos de tocar nas partes íntimas sem permissão, mas também diz que: "um dos medos constante na mente de qualquer mulher é o abuso sexual, que pode começar com uma aparentemente inofensiva 'cantada'" (grifo meu).

Tocar partes íntimas é considerado ato libidinoso e pode ser tipificado como estupro se envolver ameaça (art. 213 do Código Penal) ou violência sexual mediante fraude se envolver modo que dificulte a livre manifestação da vontade da vítima (art. 215) ou assédio sexual se se valer da condição de superior hierárquico (art. 216-A) ou, pelo menos, como ato obsceno (art. 233). Há que se avançar na legislação: por exemplo, não prevê casos que não envolvam ameaça (incluindo demissão) ou fraude realizados em locais não públicos - como no recesso do lar.

Mas, voltemos às cantadas inofensivas. Mesmo estas, se a pessoa não gosta, não devem ser proferidas. Não é este, no entanto, o ponto que discuto. É a afirmação de que a maioria das mulheres não recebem a cantada como elogio. Tecnicamente é verdade, mas não quer dizer que a maioria se sinta ofendida. Pesquisa realizada a pedido da Fundação Perseu Abramo* (do PT) em 2001, mostra que, se 32% das mulheres consideram as cantadas como desrespeitosas, 27% as recebem como elogio; 8% dizem que depende da cantada, 6% são indiferentes e 27% declaram que nunca foram cantadas.

Vendo unicamente pelo lado da reação das receptoras, a questão é um pouco mais matizada. O argumento não é exatamente: "não cante as mulheres porque elas consideram grosseiro", mas, sim: "Assumindo que a sensação de desrespeito tenha o mesmo peso da sensação de elogio e assumindo a probabilidade de que uma cantada tenha 50% de chances de ser do tipo grosseira; tomando-se uma mulher ao acaso da população, há uma chance de (32%+4%)/(100%-27%) = 49,31% de ser desagradável, uma chance de (27%+4%)/(100%-27%) = 42,46% de ser agradável e 8,22% de ser recebido com indiferença; portanto a expectativa de ganho é negativa, ainda que por pouco (-49,31% + 42,46% + 0 x 8,22% = -0,0685); então, a menos que você seja um galanteador muito bom, quando a expectativa de ganho é positiva (+0,0411 se 100% das suas cantadas forem positivas), o melhor é ficar quieto."

Esse raciocínio, no entanto, não vai funcionar bem se levarmos em conta o ganho por parte de quem faz a cantada. Se para o sujeito, ele ganha sempre que cantar alguma mulher, independente da resposta que provocar (um sorriso ou xingamento), a cantada vai ocorrer sempre. Porém, o argumento acima é para sensibilizar parte dos homens susceptível a esse tipo de argumento.

A coisa se complica mais se levarmos em conta o chamado sexismo benevolente. Provavelmente boa parte das cantadas e galanteios poderão ser vistas como reforço da imagem socialmente construída da mulher, qual seja, a de um ser incompletamente independente (é delicada, precisa ser protegida, ser tutelada). Mesmo para um homem mais esclarecido na questão (não é bem o meu caso, tenho que confessar), é um problema que vai entrar em sutilezas ainda maiores. Estudos mostram que as mulheres precisam ser treinadas para detectar casos de sexismo benevolente e nós, homens, mesmo quando enxergamos tais situações, recusamo-nos a ver como algo negativo.

Digamos que se trate de um homem razoavelmente esclarecido diante de uma mulher não treinada (a situação é improvável somente pela parte do homem razoavelmente esclarecido - no entanto, faz sentido somente nesse caso), como ele deve se portar? Respeitar a decisão da mulher como um agente independente ou tutelá-la treinando-a?

Bom esclarecer que ao expor tal situação, não estou tentando caricaturizar o feminismo; considero, porém, a questão bem posta: o que fazer?

Como disse no começo, meu posicionamento é de respeitar a decisão da pessoa. Se ela recebe uma cantada como ofensa pessoal, não passarei uma cantada; se ela recebe bem, não vejo problema algum (mesmo sob o mencionado risco do sexismo). Mas como saber se a garota recebe bem ou mal um galanteio? Se se trata de uma completa desconhecida, pra mim, vale o quadro discutido para uma cantada no meio da rua: de modo geral, é bom evitar (até porque, infelizmente, não me encaixo na categoria dos que dão cantadas certeiras). No entanto, se se conhece a pessoa, pode haver informação suficiente para que a expectativa de ganho seja positiva (para a mulher).

Mas e o fator do sexismo benevolente? A solução que vejo é deixar isso a cargo das mulheres. Que haja conversa e debate entre elas, feministas ou não, e elas decidam por si o que vale e o que não vale. Não no sentido de que um grupo dite para os homens como eles devem agir com todas as mulheres, mas que cada mulher, devidamente informada pelo debate, tenha clareza sobre o modo como deseja ser tratada e os homens respeitem as decisões individuais.

As feministas têm uma outra frente de trabalho também: fazer as próprias mulheres compreenderem o feminismo. Também segundo a pesquisa encomendada pela FPA, somente 45% das mulheres identificam o feminismo com a luta pela igualdade de diretos, 22% acham que se trata da superioridade feminina ou ser briguenta, 16% que é ser feminina (ser vaidosa, cuidar da casa), 23% nunca ouviram falar ou não sabem (a soma final é maior do que 100% - suponho que mais de uma opção poderia ser mencionada).

Disclêimer: O aviso de praxe - sou machista, mas não me orgulho disso.

*Upideite(11/set/2013): O link está quebrado. O atual é este.
*Upideite(8/mai/2014): Um estudo científico sobre o tema. (via @carlosom71)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Feminismo e trabalhadoras domésticas

O português exigiria a denominação no masculino: "empregados domésticos" para o genérico, mas esta é das raras profissões/ocupações em que quase não há homens atuando. E é um símbolo da degradação das condições das mulheres em nossa sociedade.

Não pelo trabalho em si. Ele é digno. Mas as condições em que a maioria das empregadas domésticas se encontram - mesmo as que são 'promovidas' a secretárias do lar - é mais do que lastimável. Muitas são maltratadas pelos empregadores e recebem muito pouco e têm poucos direitos trabalhistas - e frequentemente os poucos que têm são desrespeitados.

A jornalista Niara de Oliveira em uma postagem convidada no Escreva Lola Escreva trata da questão sob a óptica feminista. E convoca a todas a simplesmente não participarem disso, fazer o próprio serviço doméstico (partilhando igualmente entre todos da casa), sem explorar o trabalho das mulheres pobres.

A reflexão é muito interessante e creio que mereça uma profunda reflexãoconsideração.

De minha parte noto que, não obstante ser motivada por espírito nobre, a solução encontrada é altamente incompleta.

A maioria das empregadas domésticas, pra não dizer todas, só se sujeitam a isso porque não encontram outras ocupações.

Uma alternativa seria pagar salários justos e garantir-lhe todos os direitos: férias acrescidas de 1/3, décimo terceiro, folga semanal remunerada, jornada de 40 horas, etc. Mas, de um lado, poucas seriam as famílias capazes de arcar com tais custos. De outro, pode-se entender que ainda assim seria colocar a mulher em condição de inferioridade.

Mas simplesmente demitir a empregada e passar a fazer a própria limpeza e arrumação da casa não irá melhorar a situação delas. Irá até mesmo piorar: já que lhe cortará a fonte de renda.

A feminista encontrar-se-á em um impasse: valer-se de empregada será uma exploração; simplesmente demiti-la será tirar-lhe o sustento.

Uma solução mais completa que vejo é: não se valer de serviços das domésticas, mas utilizar o dinheiro que seria pago pelo serviço no treinamento e capacitação das mulheres pobres.

Ao mesmo tempo em que se deixa de participar da exploração, estará a contribuir para a melhoria real das condições das domésticas.

Obs: O mesmo disclaimer feito na ocasião da discussão sobre o machismo nos blogues ditos progressistas vale aqui.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Regresso progressista - leitora comenta

Lola Aronovich do Escreva, Lola, Escreva comentou esta postagem:

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Post muito didático, explicando muita coisa pra quem finge não ver. Sobre a parte que me toca, há uma diferença gritante entre ser moderadora de grupo e estar numa mesa. Moderadores de grupo, pelo que me lembro, havia 6 grupos, 2 pra cada, um total de 12 blogueiros, e ainda assim, quantas eram mulheres? Duas? Três? Nas mesas, melhor nem falar. E comigo foi assim: desde que vi o número baixíssimo de mulheres, desde que os nomes começaram a ser divulgados, eu deixei um ou dois comentários no Vi o Mundo reclamando disso. No 1o comentário, fui solenemente ignorada. No 2o, a Maria Frô conversou comigo. E no final, devido a um esforço individual DELA, fui chamada. Antes mesmo disso repeti diversas vezes que blogueiros progressistas homens ignoram a existência de blogs escritos por mulheres. Quer um exemplo? Vamos ver o blogroll deles.

O Eduardo do Cidadania tem 30 blogs linkados, e quantos desses são de mulheres? NENHUM. O blog do Renato Rovai tem 13 blogs linkados. Nenhum de mulheres. O do Leandro Fortes tem 18 blogs linkados. Um é de uma blogueira, aleluia! O do Rodrigo Vianna tem 21 endereços como “sites que eu indico”. Tem um de uma mulher – o da Maria Frô. O do Miro tá cheio de “sítios” linkados. Não vou contar quantos são, mas algo me diz que os de mulheres não devem chegar a 10% (chutando alto). Preciso continuar? Ou tá uma boa amostra pra provar que, de fato, esses blogueiros que fazem parte da comissão do Blogueiros Progressistas NÃO conhecem blogs de mulheres? Ou eles conhecem, e eles só não têm o costume de linkar blogs de mulheres? E por que não, se linkam de homens? (vamos ficar na hipótese de que realmente não conhecem blogs de mulheres. É melhor do que achar que eles conhecem e simplesmente não consideram NENHUM digno de link).

Depois, quando veio a entrevista do Lula, eu demorei um monte pra me manifestar, apesar de DE CARA pensar, quando vi que não havia mulheres: "Oops, eles cometeram esse erro de novo!". E o fato é que nenhuma mulher acabou indo. Depois, muito depois, disseram ter convidado 4 blogueiras (sendo que uma não tem blog), e fico feliz que, apesar de no blogroll dessas feras não constar quase nenhuma blogueiras, eles conheçam QUATRO. Uau, quatro blogueiras inteiras! Quando as 4 disseram que não podiam ir, eles convidaram mais alguém? O processo não teve transparência nenhuma, e muita gente reclamou da falta de mulheres, porque, no ano em que elegemos nossa 1a mulher, pegou mal pacas. E muitos desses blogueiros reconheceram o erro. Eles não percebem, porém, que essa falta de mulheres nos seus blogrolls, nos eventos, nas entrevistas, não é coincidência. É consequência do seu machismo. De ignorarem blogueiras, de não quererem conhecer seus blogs. Mas eles ficam ofendidíssimos quando alguém fala de machismo. E, dessa forma, do alto da sua falta de auto-crítica, do alto de seus egos corporativistas, eles não se permitem mudar. Por isso que eu digo, desde o começo, que o episódio com Nassif não foi isolado. Aí, quando Idelber aponta o óbvio (que é preciso se inteirar sobre feminismo, ao invés de ignorá-lo), eles se unem, furiosos, pra destruir reputações. Essa é a nova mídia? Olhando daqui, parece bastante com a velha.
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Regresso machista

A postagem de um texto crítico ao feminismo (e machista, muito machista) e que utilizava o termo "feminazi" no blogue do Nassif - e de autoria de um leitor desse blogue - acabou suscitando um imbróglio com diversas ramificações.

O texto originalmente foi publicado em uma discussão com Bárbara O. nos comentários de outra postagem no blogue do Nassif.

O desenrolar é tão complexo que eu não saberia fazer um resumo. Aponto duas versões da evolução da história: uma do próprio Nassif, outra de Cynthia Semíramis.

Depois de críticas de diversas pessoas como Idelber Avelar (e de outros que procuraram contemporizar, como Renato Rovai e Conceição Oliveira), Nassif publicou uma retratação - que não foi bem recebida pelas mulheres, como Lola Aronovich.

Nassif desculpou-se, mas os erros cometidos foram grotescos, particularmente três: 1) a própria subida do comentário para uma postagem (até como comentário é ofensivo), 2) a não publicação das respostas das mulheres, 3) as respostas irônicas iniciais às críticas feitas pelo twitter.

Na explicação inicial, Nassif disse que desconhecia o termo "feminazi". À parte o que uma simples googleada poderia resolver, bastava ver a própria sonoridade da palavra - revelando sua composição: feministas + nazistas. É óbvio que isso é ofensivo.

Podemos aceitar que blogues tenham suas idiossincrasias e fujam do que podemos chamar de cultura ou convenções bloguísticas - o padrão geral é que se uma postagem é publicada, mesmo não sendo o autor dela, sem ressalvas, o responsável pelo blogue endossa o conteúdo. No caso do blogue do Nassif, a mecânica é distinta e tem por intuito fomentar a discussão. Bem, há limites do que se pode publicar sob tal escusa - uma postagem ofensiva rompe tais limites.

A retratação de Nassif, embora um tanto tardia, é digna de elogio pelo próprio fato de se reconhecer o erro. No entanto, cheia de ressalvas como veio, isso elimina ou diminui muito do impacto positivo que teria. A bronca das mulheres tem sua razão de ser. O pedido de desculpas foi brando frente ao grau de ofensa cometido (algo vagamente similar é o caso de Bóris Casoy e os garis).

Um tema lateral surgiu em meio a isso: sobre progressismo, esquerdismo e quejandos; mas trato disso em outra postagem.

Disclaimer: Sou machista, admito. Não, não me orgulho. Sim, procuro corrigir esse defeito.