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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Oscilação quindecadal da bolsa americana

S&P 500 mensal: 1871 a agosto de 2016 - entre 1871 e 1923 (reconstituído)


Dados transformados em logaritmos naturais.


Resíduos após remoção da tendência exponencial. [Curva senóide para comparação: sen((data/2.650)-164)/2. Data em dias desde 30/12/1899.]

Se essa curva sinoidal descreve bem a variação da bolsa americana - removida a tendência temporal de aumento -, ela prediz um período de 46 anos entre duas máximas (ou, equivalentemente, duas mínimas). Haveria alguma fator externo com tal periodicidade ou seria uma característica intrínseca de um sistema como a bolsa de valores americana?

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Aumentou o número de miseráveis no Brasil?

Além da polêmica de retenção da divulgação da pesquisa do Ipea para depois das eleições (uma ação, sim, censurável), com a disponibilização dos dados o foco agora é que a miséria no Brasil teria parado de cair e, pior, teria aumentado - ainda que pouco.

Pegando os dados desde o ano 2003, fazendo uma regressão por uma curva exponencial, temos um ótimo ajuste: R2 = 0,97 (Figura 1).

Figura 1. Evolução do número de miseráveis no Brasil. Fonte: Ipea.


Usando o ajuste exponencial, temos a seguinte tabela (Tabela 1) de diferença entre os valores esperados pela curva e os valores calculados pela metodologia Ipea:

Tabela 1. Evolução do número de miseráveis no Brasil. Fonte: Ipea.
Ano Ipea Previsão Diferença %
2003 26,24 24,77 1,47 5,93
2004 23,58 22,51 1,07 4,77
2005 20,89 20,45 0,44 2,15
2006 17,32 18,58 -1,26 -6,79
2007 16,50 16,88 -0,38 -2,27
2008 14,03 15,34 -1,31 -8,54
2009 13,60 13,94 -0,34 -2,42
2011 11,77 11,51 0,26 2,29
2012 10,08 10,45 -0,37 -3,58
2013 10,45 9,50 -0,95 10,01
Ipea: Dados calculados pelo Ipea (em milhões);
Previsão: Dados calculados pela curva de ajuste (em milhões).

Para α=0,05 e n=8, o valor crítico de t=2,306. t(diferença) = 1,05 e t(%)=2,18. Nos dois casos, não se rejeita a hipótese nula de que a variação seja fruto do acaso.

Não quer dizer que não se deva preocupar com as questões sociais e econômicas e que não se deva atentar para as políticas que levam à redução da miséria. Ela pode, sim, aumentar diante de um quadro econômico ruim de baixo crescimento e uma inflação relativamente alta e persistente.

De todo modo, esse fato parece ter despertado a preocupação social em várias pessoas - inclusive as que estavam reclamando durante o período eleitoral do Bolsa Família e que o governo federal dava mais atenção aos pobres do que à classe média...

sexta-feira, 9 de maio de 2014

O Brasil, em fração de PIB, gasta mais em educação do que a Alemanha. E daí?

A nova (nem tão nova) ladainha é que o Brasil gasta, proporcionalmente a seu PIB, muito mais em educação do que países desenvolvidos e com sistema educacional muito mais avançado.

A ideia é menos enfatizar que gastamos mal - o que é verdade (será?) - do que insinuar que gastamos muito: virão acoplados argumentos de que dá pra fazer mais com muito menos. Não precisamos, afinal, gastar tanto em educação e estão errados aqueles que defendem que é preciso aumentar os investimentos na área (anátema pior: defender o aumento dos salários dos professores).

Omitem nesse argumento que não faz nenhum sentido - ou pelo menos está para se demonstrar a existência de sentido - em comparar gastos educacionais proporcionais ao PIB, em vez de gastos por aluno (ou per capita). Nisso - gastos por aluno - estamos *muito* atrás de Alemanha, Cingapura, Noruega, etc.

Não faz sentido comparar gastos em proporção ao PIB: países têm populações com quantidades diferentes de indivíduos em idade escolar e o PIB não é proporcional ao número de estudantes. De modo geral, quanto maiores os investimentos por aluno em educação - surpresa! - melhor o desempenho dos alunos em exames padronizados como o PISA (Fig. 1). (Se tem um país que parece gastar mal é Luxemburgo.)

Figura 1. Relação entre investimento em educação por aluno e desempenho no exame PISA (média para leitura, matemática e ciências). Em vermelho, Brasil; em amarelo, Alemanha. Ano: 2009.

Upideite(10/mai/2014): A figura abaixo (Fig. 2) mostra uma análise da eficiência de investimentos educacionais.

Figura 2. Eficiência de investimento educacional. No painel à esquerda, uma curva de ajuste linear maximizada (com descarte de pontos) entre desempenho no PISA e o investimento por aluno; no painel à direita, uma curva de ajuste linear maximizada (com descarte de pontos) entre o índice de eficiência de investimento e o investimento por aluno. O índice de eficiência foi calculado a partir da divisão entre o total de pontos no PISA acima do valor mínimo calculado pela curva de ajuste no painel à esquerda dividido pelo montante investido por aluno. Ano 2009.

A eficiência de investimento educacional no Brasil está dentro do esperado em relação ao montante investido por aluno. Para maximizá-lo, é preciso *aumentar* o investimento até cerca de 4.500 USD PPP; ou seja, dobrar o montante investido em 2009. Como em 2009 eram investidos cerca de 5% do PIB em educação, isso significa que o objetivo de 10% do PIB em educação é exatamente o que deve ser perseguido para a situação atual do país.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Política para vândalos e manifestantes coxinhas: Lição 9 ‎#ProtestaBR

#NãoVaiTerCopa

Neste começo de 2014, ano da Copa no Brasil, voltamos a ter os protestos contra os gastos com a realização do evento no país.

Realmente os estádios, entre construções e reformas, representam um montante que impressiona: R$ 8,9 bilhões empenhados até o momento e contando. Mesmo que parte seja dívida privada com o BNDES - que deverá ser pago ao longo do tempo -, há projetos públicos (o Mané Garrincha de Brasília, o Maracanã do Rio, a Amazônia de Manaus e a Pantanal de Cuiabá), e em PPP com concessão (o Mineirão de BH, a Fonte Novo de Salvador, a das Dunas em Natal, Pernambuco de Recife, o Castelão de Fortaleza). Os empréstimos privados são a juros subsidiados por banco público, além de benesses fiscais. O aumento de mais de 300% em relação aos estimados R$ 2,7 bilhões em 2007 é mesmo algo de causar revolta.

O que é meio complicado é que os *protestos* contra os gastos públicos de dinheiro que talvez fosse mais bem aplicado em saúde e educação somente em 2013 geraram um prejuízo de mais de R$ 15 bilhões em perdas de vendas no comércio, fora os R$ 4,5 bilhões em impostos que deixaram de ser arrecadados. Sem contar as dezenas de milhões de reais gastos em depredação de patrimônio público (como sinalizações, edificações, mobiliário urbano...) e limpeza (remoção de pichações, varrição de rua...) e de patrimônio de uso coletivo (principalmente ônibus). Fora as perdas de mercadorias saqueadas ou de perecíveis que estragaram durante bloqueios de estradas; fora as perdas em combustível e produtividade nos congestionamentos. Fora a inflação gerada. Fora a perda de produção nas indústrias. Fora perdas na indústria turística.

Os protestos são legítimos, concorde-se ou não com as reivindicações. Mas, opinião minha, não me parece muito razoável promover perdas públicas maiores do que os valores contra os quais se mobiliza.

Se não é pra ter Copa, talvez ter um pouco de bom senso seja essencial também.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Pizza no Brasil é cara por causa da carga tributária? - Porque a Globo seria reprovada no doutorado.

Repercutindo uma reportagem do New York Times sobre o preço da pizza no Brasil, o Jornal da Globo escalou quatro repórteres para conferir: foram a uma pizzaria em São Paulo, uma em Nova Iorque, uma em Londres e outra em Tóquio. Os repórteres pediram pizzas de queijo, converteram os valores em dólares, depois em real.

A pizza mais cara foi a nova iorquina. Mas, em relação ao ganho médio dos consumidores, a paulistana certamente é a menos acessível.

Compararam com a carga tributária em relação ao PIB e concluíram que a pizza no Brasil é mais cara por causa dos impostos.

Louve-se a iniciativa do que podemos chamar de pizzometria comparativa. Legal dispuserem-se a tirar a prova dos noves e ir a campo colher dados de vários locais. Louve-se ainda o esforço para que as pizzas fossem as mais parecidas possíveis.

Mas não tem qualquer valor do ponto de vista científico e a conclusão é puramente ideológica. Não apenas a amostragem é falha (apenas um ponto e em uma cidade de cada país) e carga tributária não é um indicador adequado sobre os tributos incidentes na confecção e comercialização de pizzas como os dados *não* dão nenhum suporte à conclusão.

Abaixo coloco um gráfico de correlação entre os preços levantados das pizzas e as cargas tributárias.

Figura 1. Relação entre preço de pizza e carga tributária. Azul: Londres, vermelho: Tóquio, verde: São Paulo, branco: Nova Iorque. Fonte: Jornal da Globo.

Se há alguma correlação é que o preço da pizza é *maior* quanto *menor* a carga tributária. Em Nova Iorque, o preço da pizza foi o maior, mas a carga tributária americana é a menor entre os quatro países; a carga tributária brasileira não é muito diferente da do Reino Unido, mas a pizza londrina é muito mais barata. (Na verdade não há essa correlação porque os dados não têm relevância estatística.)

Não estou com isso concluindo nem que a carga tributária no Brasil é baixa, nem que os impostos não devam ser reduzidos ou racionalizados por reformas tributárias. Apenas demonstrando que o esforço de reportagem produziu um resultado, na melhor das hipóteses, nulo quanto à conclusão que quiseram apresentar (e, de fato, apresentaram).

terça-feira, 17 de abril de 2012

Evolução da diferença salarial por gênero no Brasil

Aparentemente há alguns mitos a respeito da diferença salarial e de rendimentos que ainda persistem. Procurarei rebatê-los com dados disponíveis (compilei-os aqui com as referências).

A Figura 1 apresenta a evolução do rendimento médio da mulher (em fração do rendimento médio masculino) segundo dados do IBGE.

Figura 1. Evolução da diferença salarial nas regiões brasileiras.

O primeiro mito que podemos derrubar é que as diferenças sejam maiores em regiões economicamente menos desenvolvidas. Bem ao contrário: as maiores defasagens ocorrem no Sudeste e no Sul.

O segundo mito é o que diz que nada precisa ser feito já que a diferença vem caindo. As mulheres terão o mesmo rendimento médio dos homens, no ritmo atual, apenas no ano 2054. Ver também a Figura 2.

O terceiro mito diz respeito a que as diferenças de salários se devem ao fato de as mulheres estarem em ocupações de menor rendimento. Vide a Figura 2. Para o mesmo cargo, mulheres recebem menos e cada vez menos.

Figura 2. Evolução da diferença salarial por cargo.

O quarto mito diz que as mulheres recebem menos por trabalharem menos do que os homens. É verdade que a média de horas trabalhadas é inferior, mas tem sido de apenas 10% menos; a renda corrigida por hora de trabalho é inferior. (Apenas no setor da construção as mulheres recebem mais - e substancialmente mais - do que os homens, isso pelo fato de a maioria dos cargos que as mulheres ocupam serem de níveis maiores: há poucas mulheres pedreiras.) Vide Figura 3.

Figura 3. Evolução da diferença salarial e de horas trabalhadas por setor da economia.

O quinto mito diz que as mulheres recebem menos por terem uma qualificação menor do que os homens. Não é verdade, não apenas as mulheres têm um nível médio de instrução maior, como a diferença aumenta com a escolaridade da mulher. E a situação tem piorado para as mulheres com maior instrução. (Vide Figura 4.)*

Figura 4. Evolução da diferença salarial por anos de estudo. Fonte: Mulher no Mercado de Trabalho - Perguntas e Respostas.

Há um pequeno enigma: quando vemos a situação para uma mesma ocupação e para uma mesma escolaridade, as mulheres têm recebido cada vez menos do que os homens; porém, se olhamos para a situação geral, a diferença tem diminuído - ainda que a passos de tartaruga paralítica. Que se pasa?***

Uma possível resposta é que as mulheres têm conseguido ocupações mais bem remuneradas e de nível mais alto do que a média dos homens - embora em desvantagem em relação aos pares, no cômputo geral, isso estaria levando à diminuição da defasagem.**

Para piorar a situação, quando vemos as oportunidades de promoçãoascenção na carreira também observamos uma discriminação por gênero: mulheres têm menos chances de obterem promoção nas grandes indústrias brasileiras.

Certamente, levantarão outras objeções como a priorização à família pelas mulheres. Mas a diferença de rendimentos associada ao gênero persiste mesmo quando decompomos os fatores. E cada fator, na verdade, é um fator que *compõe* a discriminação de gênero e não uma explicação alternativa: se as mulheres recebem menos por ocuparem cargos inferiores, a discriminação está justamente na vedação do acesso às mulheres a cargos superiores como a presidência e vice-presidência de grande empresas; se as mulheres recebem menos por se dedicarem mais aos filhos, a discriminação está justamente em não se oferecem condições às mulheres, como creches, para cuidarem dos filhos.

*Upideite(18/abr/2012): Para as escolaridades a partir de 8 anos, há uma tendência de diminuição da diferença. Tendência mais clara para o grupo com 11 anos ou mais de estudos (o que inclui o grupo com nível superior).
**Upideite(18/abr/2012): Um exemplo numérico (hipotético) de como isso pode ocorrer.
No ano 2000, deste exemplo, o rendimento médio da mulher era de 90% da dos homens tanto no cargo A quanto no cargo B; e a média geral era de 90%. No ano 2010, o rendimento médio da mulher caiu em comparação ao dos homens: 76% no cargo A e 87% no cargo B. Mas a média geral subiu para 92%. Isso ocorreu porque, no nosso exemplo, a fração de mulheres ocupando o cargo B (de maior renda) aumentou.

***Upideite(09/abr/2014): Descobri agora que o fenômeno de desaparecimento ou reversão da tendência obtida em diferentes grupos quando seus dados são combinados tem nome - paradoxo de Simpson.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Evolução do salário mínimo: de 1990 a 2010

A figura acima representa a evolução do salário mínimo brasileiro em termos de dólar e em termos de cestas básicas.

O pessoal de esquerda anti-FHC tem feito várias comparações entre os governos FFHH e os governos Lula a respeito de realizações em diferentes áreas. Uma delas é sobre o salário mínimo.

A respeito desse item creio que a análise tem sido um tanto equivocada. A comparação é feita unicamente em valores dolarizados do SM. É patente que durante os governos Lula o SM, em dólar, subiu a um grande ritmo - enquanto que durante os governos FFHH, ele ficou estável (pouco acima de 100 dólares) durante o primeiro governo e caiu entre o primeiro e o segundo.

Mas se analisarmos em relação ao poder de compra - e estou usando como variável proxy o valor médio da cesta básica, o ritmo do aumento do poder de compra parece basicamente o mesmo.

Podemos ver a distribuição dos pontos antes da implantação do plano real, no período da super e da hiperinflação, como há grandes variações em um curto espaço de tempo - por decreto procurava-se recuperar o poder de compra, mas o ritmo alucinante da subida geral dos preços corroía rapidamente o valor do SM antes do próximo mês. Com a implantação do real, houve a estabilização do poder de compra em termos de cestas básicas - e também em termos de dólar já que o câmbio era fixo. Na passagem de 1998 para 1999 houve a grande desvalorização cambial, passando a se adotar o regime flutuante, o que levou à queda do SM em dólar - porém, para o que importa, compra de alimentos, iniciou-se um gradativo aumento.

Já sob Lula, o câmbio flutuante, com a balança comercial crescentemente superavitária, houve uma forte valorização do real frente ao dólar - isso explica o rápido crescimento em dólar, em ritmo maior do que o crescimento do poder de compra em termos de cestas básicas.

A comparação somente em dólar introduz um viés que obscurece a análise - que é a mudança da relação cambial entre as moedas. Quando comparamos a valorização salarial por um índice de real poder de compra, o ritmo é bem similar entre os governos de ambos os presidentes. (Mas, sim, concordo que os governos Lula são superiores aos governos FHC em muitos - quase todos? - aspectos econômicos e sociais.)

[Os cinco pontos sobre o eixo x indicam as datas do início do real, dos dois governos FHC e dos dois Lula.]

Fontes: salário mínimo; dólar (aqui e aqui); cesta básica (aqui e aqui - usei o valor de referência para São Paulo).

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Pepsi Fight

A PepsiCo, empresa que fabrica não apenas os refrigerantes Pepsi, SevenUp e cia, como também os salgadinhos ElmaChips e outros elementos deliciosamente junkfoods, tem um blogue que fala exatamente de nutrição. Obviamente dá a versão da empresa sobre o tema, embora haja uma equipe de cientistas a gerar o conteúdo.

O Scienceblogs americano (Sb) é um condomínio bem sucedido de blogues sobre ciências e humanidades da Seed Media Group.

A PepsiCo entendeu que alugar um espaço no condomínio seria uma boa iniciativa. Certamente a empresa tem mais visibilidade do que o Sb, o que ganharia seria um grupo de leitores que buscam a credibilidade dos autores do Sb. Até aqui não é tão diferente, por exemplo, dos anúncios tradicionais.

O blogue de ciências do Guardian e Carl Zimmer relatam o caso.

O problema foi que o blogue corporativo foi juntado aos demais sem uma demarcação precisa que distinguisse o conteúdo comercial do editorial. Pegou fogo. Vários blogueiros do Sb - não totalmente desprovido de razão - criticaram fortemente a medida. Alguns desligaram-se em protesto. Vários leitores também escreveram comentários do crítico ao quase obsceno. Verdade que outros pareceram compreender a medida - dinheiro é muito bem vindo, ainda mais que é complicado gerar rendas com blogues científicos.

A Seed reconhecendo o problema da demarcação tratou de colocar um aviso no blogue da PepsiCo: "This blog is sponsored by PepsiCo. All editorial content is written by PepsiCo's scientists or scientists invited by PepsiCo and/or ScienceBlogs. All posts carry a byline above the fold indicating the scientist's affiliation and conflicts of interest." (Como lembra a Seed, não foi a primeira experiência com blogues corporativos no Sb: da Shell e da GE. Porém, na ocasião não se criou um clima de tanta animosidade. Há várias especulações para a diferença de recepção - irei me furtar de listá-las.)

Mas o estrago feito, o fogo amigo, as saídas... será passível de conserto? E o que terá achado a PepsiCo disso? Isso irá afastar anunciantes do Sb? Irá afetar a blogsfera cientófila? Aguardemos o desenrolar dos próximos capítulos.

Upideite(08/jul/2010): Parece que a PepsiCo acabou por sair antes da estreia.

Disclêimer: Faço parte do Scienceblogs Brasil (SBBr) escrevendo para o Tubo de Ensaios.
Disclêimer 2: Minhas observações aqui não refletem o posicionamento do SBBr.

Upideite(21/jul/2010): Disclêimer 3: não faço mais parte do SBBr. (Não tem nada a ver com o episódio PepsiCo na matriz, no entanto.)
A sangria não foi contida. Há ainda importante blogueiros deixando o Sb americano e um deles iniciou uma greve (mas com algum efeito já sentido).

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Café com bobagem

O jornalista Fernando Canzian da Folha de São Paulo, escreve em sua coluna sobre os efeitos do Bolsa Família no trabalho rural na cidade de Brejões - BA.

Cafeicultores não conseguem contratar catadores de café com carteira assinada, porque este grupo é formado por beneficários do Bolsa Família e eles temem perder o direito à bolsa de R$ 134,00.

Diz Canzian: "Não seria justo culpar apenas os benefícios dados pelo governo federal (como o Bolsa Família e as aposentadorias especiais) pelo o que ocorre em Brejões e em outros locais do país. Há outros problemas, como o preço do café estacionado e a falta de financiamento rural./Mas é certo que os benefícios sociais, neste caso, têm causado uma distorção tremenda no meio rural."

Bobagem. A causa não são os benefícios sociais.

Primeiro: ter carteira assinada *não* impede o recebimento da bolsa - se esse é mesmo o temor dos catadores, então a culpa é da ignorância e não do programa (e isso pode ser facilmente resolvido com uma campanha de esclarecimento).

Segundo: se a carteira comprova que o beneficiário irá receber além da renda que o inclui no programa ou novamente é ignorância do trabalhador que resolve ficar com uma renda menor ou é uma atitude racional do trabalhador, que prefere o benefício a se sujeitar a condições de trabalho que não valem a pena a maior renda. No segundo caso, o programa apenas cria uma opção ao catador -e, convenhamos, se ele opta pela ninharia dada pelo Bolsa Família, é porque a remuneração do trabalho é mesmo aviltante. Nesse caso, a culpa é do empregador que oferece baixa remuneração.

Ou seja, se há distorção, não é coisa de se culpar o Bolsa Família: ou é desconhecimento ou é ganância. Se a transformação é do Bolsa Família, neste caso em particular significa que não se trata de distorção, mas de correção de uma situação socioeconômica cujo desaparecimento não precisa ser lamentado.

Mas Canzian não é daqueles que demonizam o programa:
"O programa Bolsa Família é uma necessidade em um país de carências tão grandes como o Brasil. Custa pouco como proporção do PIB (cerca de 1%) e atinge 12,5 milhões de famílias. Ele também foi parte do 'estopim' da atual onda de crescimento e ajudou muito a distribuir a renda."

E concordo com a observação: "No entanto, ajustar os aspectos negativos do programa, assim como seu efeito pró governo de plantão, se tornou algo inadiável."

Só discordo de que o exemplo dado seja realmente um desses aspectos negativos.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Só para maiores...

Aviso, se você tem menos de 18 anos, não leia o restante da postagem*.

Há pouca atenção dada para a indústria pornográfica (e mais amplamente a indústria do sexo) por parte de estudos econométricos sérios. Talvez em grande parte por conta de pudicícias moralistas. Mas ela é - com e sem trocadilho - vigorosa: só nos EUA, em 2001, devia movimentar algo na casa dos 2 bilhões de dólares em vídeo, mais 1 bilhão em internet e outro bilhão em revistas [1], e agora imagina-se que esteja na casa dos 13 bilhões de dólares [2].

As empresas de filmes adultos eróticos certa feita decidiu a batalha entre o padrão Beta e o VHS, favorecendo o último formato. E tinha um peso para decidir entre o Blu-Ray e o HD-DVD [3], o que acabou não ocorrendo pela desistência da Toshiba (proprietária da tecnologia do HD-DVD).

A indústria do sexo tem sido também extremamente rápida em absorver as novas tecnologias e modos de comunicação. Nos tempos de internet, abaixo, uma pequena compilação (certamente não exaustiva!) de alguns serviços imediatamente copiados para uma versão sexual.

Sítios de busca. Exs: Google, MagicTeaPot.
Wikis. Exs: Wikipedia; WikiGP.
Compartilhamento de arquivos. Exs: Rapidshare, Shareporn.
Compartilhamento de videos. Exs: YouTube; PornTube.
Redes sociais. Exs: orkut; sexkut.
Mundos virtuais. Exs: Second Life, Red Light Center.


[1] How big is porn?
[2] US porn industry seeks multi-billion dollar bailout
[3] Porn industry may be decider in Blu-ray, HD-DVD battle

*Eu falei para não ler. Bem, então vai uma historinha para você: 'I Am Under 18' Button Clicked For First Time In History Of Internet.